PERSPECTIVA POLÍTICA – Quem entrega, tem o reconhecimento
A primeira semana de campanha reforça uma mensagem simples: bons governos tendem a receber reconhecimento, chapas competitivas precisam de todos os seus integrantes e mudanças de posição em pleno período eleitoral sempre despertam perguntas legítimas.
Existe uma lógica simples na política que muitas vezes fica escondida no meio das disputas, ataques e narrativas eleitorais.
Quando a população avalia positivamente um governo e percebe resultados concretos, existe uma tendência natural de reconhecer esse trabalho nas urnas.
Dois exemplos aparecem neste momento.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas mantém elevados índices de aprovação e lidera com ampla vantagem a disputa pela reeleição. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) apontou 60% de aprovação de sua gestão e colocou o governador em condição de vencer a eleição ainda no primeiro turno.
Em Santa Catarina, Jorginho Mello apresenta situação semelhante. Pesquisas recentes também mostram elevados índices de aprovação e colocam o governador acima dos 50% das intenções de voto em alguns levantamentos, igualmente com possibilidade de reeleição no primeiro turno.
Naturalmente, pesquisas são fotografias do momento e não antecipam resultados. A campanha está em andamento e os números podem mudar até a eleição.
A régua está nas mãos do eleitor
O mais importante, entretanto, independe dos nomes e dos partidos.
Tarcísio é do Republicanos.
Jorginho é do PL.
Em outro momento, os exemplos poderiam ser governadores de esquerda, centro ou qualquer outro campo político.
A régua precisa ser a mesma.
O eleitor pode ouvir discursos, acompanhar campanhas e conhecer narrativas, mas também observa aquilo que acontece ao seu redor.
Quando percebe resultados e considera que um governo correspondeu às suas expectativas, tende a reconhecer esse trabalho nas urnas.
É justamente por isso que temos insistido tanto na necessidade de os candidatos apresentarem propostas concretas.
Quem pretende chegar precisa dizer o que fará. Quem já chegou precisa mostrar o que fez.
No final, existe uma lógica bastante objetiva: quem entrega se credencia ao reconhecimento; quem não entrega fica sujeito à substituição.
E quem determina isso não é partido, candidato, imprensa ou instituto de pesquisa.
É o eleitor.
Essa é a essência de um dos princípios fundamentais estabelecidos pela Constituição brasileira:
“Todo o poder emana do povo.”
Vice também precisa fazer campanha
Fechada a primeira semana oficial da campanha eleitoral, um movimento chamou atenção na chapa de Jorginho Mello.

O candidato a vice-governador Adriano Silva, ex-prefeito de Joinville, colocou o “pé na estrada”.
Inaugurou seu comitê de campanha em Joinville e manteve agenda durante todos os dias da semana, algumas vezes ao lado do próprio Jorginho Mello e, em outras, cumprindo compromissos de forma independente.
A movimentação mostra uma característica importante.
Adriano não parece disposto a ocupar apenas uma posição protocolar na chapa. Está visitando regiões, conversando com lideranças e ajudando a ampliar a presença territorial da campanha.
Vice não precisa ser apenas composição
Em muitas eleições, o candidato a vice aparece pouco e funciona quase exclusivamente como elemento de composição partidária, política ou regional.
Mas uma chapa pode ganhar força quando o vice também possui capacidade própria de mobilização, diálogo e circulação pelo estado.
No caso de Adriano Silva existe ainda um componente estratégico importante: Joinville, cidade que administrou, é o maior colégio eleitoral de Santa Catarina. Além da projeção conquistada como prefeito, portanto, sua base política está justamente no município com o maior número de eleitores do estado.
É cedo para medir qual será o impacto eleitoral dessa atuação.
Mas, nesta primeira semana, Adriano demonstrou disposição e desenvoltura para exercer um papel ativo na campanha, percorrendo regiões e mantendo contatos com lideranças locais.
Vice não precisa ser apenas o nome que completa uma chapa. Quando possui autonomia, agenda, capacidade de articulação e uma base eleitoral relevante, também pode ajudar a construir votos.
As eleições continuam fazendo coisas
Na sexta-feira (21), esta coluna publicou uma nota intitulada “As eleições fazem coisas”.
Não demorou muito para aparecer outro exemplo.

Na quarta-feira (19), durante o 11º Fórum CNT de Debates, o candidato à Presidência Ronaldo Caiado classificou a PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e acaba com a escala 6×1 como uma proposta de caráter “populista, eleitoreiro, de voto”.
No dia seguinte, durante entrevista ao SBT, já declarou aceitar a substituição da escala 6×1 pelo modelo 5×2.
E neste sábado (22), em Campinas, quando novamente perguntado se era favorável ao fim da escala 6×1, não deixou dúvidas:
“Sim, sou a favor.”
Mudança de posição ou mudança de circunstância?
Qualquer pessoa tem o direito de rever suas posições.
Políticos também.
Mudar de opinião diante de novos argumentos não é defeito. Muitas vezes é até uma qualidade.
Mas estamos em período eleitoral.
E quando um candidato classifica determinada proposta como populista e eleitoreira e, poucos dias depois, manifesta apoio a ela, existe uma pergunta absolutamente legítima:
O que mudou?
Foram novos argumentos?
Uma avaliação mais aprofundada da proposta?
Conversas com trabalhadores e empresários?
Ou a percepção de que a medida possui forte apelo junto ao eleitorado?
Não temos elementos para responder.
E não devemos escolher uma resposta pelo candidato.
Mas Caiado pode explicar.
Afinal, se uma posição muda durante uma campanha, o eleitor tem o direito de saber se mudou a convicção — ou apenas a conveniência.
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