Perspectiva Política: a campanha que não discutiu o país

A ausência de propostas, a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro e o cenário eleitoral para o Governo de Santa Catarina marcam esta edição.

A campanha que não discutiu o país

Infelizmente, chegamos às vésperas do primeiro turno sem a campanha propositiva que desejávamos. Prevaleceu a tentativa de desconstruir adversários, e a reta final apenas tornou mais evidente o baixo nível da disputa.

Colocaram Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, no centro da eleição a partir de uma informação inverídica que ganhou repercussão após ser veiculada pela GloboNews, que posteriormente se retratou. Antigas acusações sobre as chamadas “rachadinhas” envolvendo Flávio Bolsonaro voltaram ao debate. Lula passou a enfrentar forte reação pela medida provisória que proibiu as bets e também por uma declaração sobre mulheres estarem acostumadas com “toques” desde pequenas. O episódio originou uma campanha nas redes sociais com a frase: “Lula, deixe nossas crianças em paz”.

Poderíamos citar muitos outros exemplos. Entretanto, pouco se ouviu sobre propostas concretas para enfrentar os imensos problemas do Brasil. A campanha discutiu acusações, frases, versões e ataques, mas dedicou pouco espaço ao país que começará a ser governado em 1º de janeiro de 2027.


A polarização confirmada

O conjunto das pesquisas publicadas nos últimos dez dias, realizadas por diferentes institutos, converge para um cenário sólido: a eleição presidencial deverá ser decidida no segundo turno entre o atual presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

A polarização entre os dois campos políticos ficou caracterizada antes mesmo do início oficial da campanha e se manteve durante toda a disputa. Apesar das candidaturas apresentadas como alternativas, não houve qualquer sinal consistente de espaço para a chamada terceira via. Lula e Flávio concentraram a preferência do eleitorado e deixaram os demais concorrentes distantes.

Confirmado esse cenário pelas urnas, começará uma nova disputa: conquistar os eleitores dos candidatos que ficarem fora do segundo turno. Mesmo representando parcelas menores do eleitorado, esses votos poderão ser decisivos em uma eleição que as pesquisas mostram equilibrada.


A disputa pelo segundo lugar

Na corrida pelo Governo de Santa Catarina, o conjunto das pesquisas aponta para a possibilidade de a eleição ser definida ainda no primeiro turno, com a reeleição do governador Jorginho Mello. Os levantamentos apresentam percentuais diferentes, mas convergem ao mostrar uma vantagem ampla e consistente do atual governador sobre os adversários.

Imagem gerada por IA

Com a liderança aparentemente consolidada, a principal expectativa passa a ser quem terminará em segundo lugar. João Rodrigues apareceu nessa posição durante toda a campanha, mas perdeu fôlego nas pesquisas mais recentes, enquanto Gelson Merísio apresentou crescimento e reduziu a diferença entre os dois.

O último debate entre os candidatos, realizado na noite de ontem, teve provocações, acusações e cobranças. No entendimento da coluna, entretanto, nada ocorreu com força suficiente para alterar significativamente o cenário apresentado até agora pelas pesquisas. A confirmação, como sempre, caberá às urnas.

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