Conta de luz sobe, mas distribuidora fica com uma das menores fatias da tarifa
Em Santa Catarina, aumento da energia reacende críticas à Celesc, mas maior parte da conta é formada por geração, transmissão, tributos e encargos setoriais.

Normalmente, quando há aumento na tarifa de energia elétrica, quem faz o papel de “patinho feio” são as distribuidoras. São elas que mantêm contato direto com os consumidores, fazem o atendimento, emitem a conta de luz e acabam recebendo a maior parte das críticas.
Em Santa Catarina, esse papel recai sobre a Celesc. Com o reajuste tarifário anual aprovado pela Aneel, que irá vigorar a partir de agosto o efeito médio deverá ser superior a 11%, a empresa voltou a ser cobrada pelo chamado “absurdo” do aumento.
O problema é que a conta de luz não é formada apenas pela distribuidora. A própria Celesc explica que a tarifa considera custos com geração, transmissão e distribuição de energia, além de encargos setoriais; sobre esse valor ainda incidem tributos como PIS, Cofins e ICMS.
Em números aproximados, no caso catarinense, a composição da tarifa mostra que a distribuidora fica com uma das menores parcelas do total arrecadado. De cada R$ 100 pagos pelo consumidor, cerca de R$ 10 vão para transmissão, R$ 22 para tributos, outros R$ 22 para encargos setoriais e políticas públicas do setor elétrico, R$ 29 para geração de energia e aproximadamente R$ 17 ficam efetivamente com a Celesc pela atividade de distribuição. O próprio Governo de Santa Catarina já destacou que, em composição tarifária recente, à Celesc cabia apenas cerca de 18% da conta paga pelo consumidor.
Isso não significa que o consumidor não tenha razão em reclamar. A energia pesa no orçamento das famílias, das empresas, do comércio e da indústria. O ponto é outro: a crítica precisa ser direcionada corretamente. A distribuidora é a face visível da cobrança, mas não é a única responsável pelo valor final.
A Aneel é quem define as tarifas das distribuidoras, seguindo metodologias que consideram custos de geração, transmissão, distribuição, encargos e outros componentes regulatórios.
Por falta de esclarecimento, as distribuidoras acabam sendo injustamente tratadas como responsáveis por toda a conta. No caso da Celesc, a cada R$ 100 pagos pelo consumidor, apenas uma parte menor fica de fato com a empresa. O restante financia outras etapas da cadeia elétrica, tributos e políticas públicas definidas nacionalmente.
O debate sobre energia cara é necessário. Mas ele precisa ser feito com informação. Só assim o consumidor entenderá que o problema da conta de luz no Brasil é muito maior do que a empresa que entrega a fatura no fim do mês.
Hashtags:
#ContaDeLuz #Celesc #EnergiaElétrica #Aneel #SantaCatarina #TarifaDeEnergia #Tributos #EncargosSetoriais #Distribuidoras #Economia #CustoDeVida #Energia #Brasil
