BRF — de Concórdia e Videira ao mundo, a agroindústria catarinense em escala global

Em 1934, às margens do Rio do Peixe, na então Vila das Perdizes (Meio-Oeste catarinense), um armazém de secos e molhados inaugurado por descendentes de imigrantes italianos deu origem ao que viraria a Perdigão. Pouco depois, em 1939, o negócio já entrava na fase industrial com abatedouro de suínos — um roteiro que se repetiria em tantas outras histórias de Santa Catarina: produção no interior, organização, método e a construção de mercado passo a passo.
Dez anos depois, em 1944, em Concórdia, Attílio Fontana fundou a Sadia — nome criado da união da sigla “SA” com as últimas letras de Concórdia (“DIA”). A marca, que começava como indústria e visão de futuro, ajudou a moldar o município e virou uma das identidades mais fortes do alimento brasileiro.
Perdigão e Sadia cresceram, cada uma ao seu jeito, mas com a mesma base catarinense: integração com produtores, cadeia fria, logística e obsessão por padrão. Por décadas, foram rivais e referências — até que a história econômica do país cobrou reorganização. Em 19 de maio de 2009, as empresas comunicaram ao mercado o início do processo de associação que unificaria as operações e daria origem à BRF – Brasil Foods S.A.
A construção da “nova empresa” não foi automática. Em 13 de julho de 2011, o CADE aprovou a operação, mas condicionou a BRF a um Termo de Compromisso de Desempenho (TCD), com exigências de venda de ativos e restrições temporárias de marcas em algumas categorias. Parte dessas obrigações envolveu negociação de ativos com a Marfrig e a migração de unidades, concluída em 2012.
A partir daí, veio a fase de arrumação interna: 2013 foi descrito pela própria companhia como um ano de mudanças organizacionais e de desenho de um plano estratégico. Nos anos seguintes, a BRF ajustou portfólio e foco: o acordo para alienação da divisão de lácteos foi concluído em 2015 e, no campo internacional, a criação da OneFoods estruturou uma plataforma dedicada ao mercado halal, com base em Dubai e início de atividades em 2017.
O resultado dessa soma — origem catarinense + escala industrial + marca — é um grupo que se tornou “infraestrutura alimentar” dentro e fora do Brasil. No perfil corporativo, a BRF descreve produtos chegando a mais de 117 países e um portfólio amplo, com marcas como Sadia, Perdigão, Qualy, Banvit e Hilal.
Nos últimos anos, a companhia também viveu um ciclo de retomada operacional. No 1º semestre de 2025, a BRF registrou o melhor resultado semestral de sua história, com EBITDA ajustado de R$ 5,3 bilhões e lucro líquido de R$ 1,9 bilhão; no 2º trimestre, a empresa informou receita líquida de R$ 15,4 bilhões e alavancagem no menor patamar histórico citado no comunicado.
E, como se a história gostasse de fechar ciclos, a BRF voltou a cruzar caminho com a Marfrig — agora em outro papel. Em 5 de setembro de 2025, o CADE aprovou, sem restrições, a incorporação da BRF pela Marfrig, marco que pavimentou a criação da MBRF Global Foods Company. No 1º trimestre de 2026, já sob esse novo capítulo, a companhia reportou lucro líquido de R$ 111 milhões e receita líquida de R$ 39,5 bilhões.
Se números ajudam a explicar a dimensão, são as pessoas que dão sentido a ela. A BRF é, no fundo, a história de milhares de famílias produtoras, equipes de fábrica, motoristas, veterinários, técnicos, compradores, vendedores e profissionais que fazem o alimento chegar com regularidade. É a obra coletiva catarinense em escala: do interior ao mundo, do frigorífico à marca, da rotina invisível à confiança do consumidor.
Linha do tempo — marcos essenciais
• 1934 — Nasce a origem da Perdigão na Vila das Perdizes (SC).
• 1939 — Perdigão inicia atividades industriais com abatedouro de suínos.
• 1944 — Em Concórdia, Attílio Fontana funda a Sadia.
• 19/05/2009 — Anunciada a associação Sadia–Perdigão, nascendo a BRF.
• 13/07/2011 — CADE aprova com condições (TCD); migração/alienação de ativos avança e se conclui em 2012.
• 2015 — Conclusão da venda da divisão de lácteos (conforme histórico corporativo).
• 2016–2017 — Estruturação e início da operação da OneFoods (plataforma halal).
• 1S25 — Melhor semestre da história: EBITDA ajustado R$ 5,3 bi e lucro R$ 1,9 bi.
• 05/09/2025 — CADE aprova a incorporação da BRF pela Marfrig.
• 1T26 — Já no capítulo MBRF, lucro de R$ 111 mi e receita líquida de R$ 39,5 bi.
