Grupo Angeloni — da fiambreria de Criciúma ao varejo que virou referência no Sul

Em 1958, em Criciúma, um negócio de família começou pequeno — “humilde”, como costumam ser as histórias que dão certo de verdade — numa sala na Rua Seis de Janeiro, quando Antenor e Arnaldo Angeloni decidiram transformar tino comercial em rotina de balcão. A cidade ainda estava longe de ser o polo que é hoje, mas a essência já estava ali: atender bem, trabalhar com constância e aprender com o cliente todos os dias.
A expansão veio passo a passo, com aquele ritmo do Sul catarinense que mistura prudência e coragem. A rede abriu sua primeira loja em Rincão (hoje Balneário Rincão) em 1969; em 1972, inaugurou nova unidade em Criciúma e, ao longo dos anos seguintes, foi ocupando cidades estratégicas do Estado — uma construção que se consolidou quando chegou a Florianópolis, em 1983. Era o varejo criando mapa, bairro por bairro, com uma promessa simples: variedade, padrão e conforto.
O marco simbólico de “virar regional” veio em 2002, com a primeira unidade fora de Santa Catarina, em Curitiba, no Paraná — a confirmação de que a empresa nascida no balcão já tinha método para competir em praça grande sem perder a identidade de origem.
Hoje, o Angeloni opera como um ecossistema: 32 supermercados e cinco atacarejos (Super A) em Santa Catarina e Paraná, somando 37 operações de varejo alimentar, além de atuar em farmácias, postos e e-commerce. Na engenharia invisível que sustenta o serviço, um dado resume bem a ambição de abastecimento: o grupo divulga um Centro de Distribuição com 36 mil m² e capacidade para armazenar até 18 mil itens, garantindo o abastecimento da rede.
Os números recentes ajudam a dimensionar o peso do grupo no setor. Em 2025, o Angeloni faturou cerca de R$ 3,9 bilhões, segundo publicação do varejo e atacado distribuidor; e, no Ranking ABRAS 2026 (faturamento de 2025), aparece com R$ 3,89 bilhões, ainda que com leve variação de posição — um retrato de um mercado cada vez mais competitivo.
E a história segue em movimento. Em 2026, o grupo anunciou novos projetos de expansão e modernização, incluindo planos de novas lojas e ampliação do atacarejo, reforçando a tese de que o varejo de proximidade continua forte quando combina experiência, operação e logística.
Se números ajudam a contar o tamanho, são as pessoas que explicam o sentido. Porque por trás de cada inauguração — e de cada compra corriqueira — existe uma rotina que não aparece: gente de reposição, de caixa, de açougue, de padaria, de logística, de limpeza, de atendimento. É esse trabalho repetido, dia após dia, que transforma uma marca em hábito. E é justo reconhecer o que foi construído até aqui: um varejo que saiu de Criciúma e ganhou o Sul sem precisar abandonar o básico — bem servir, com constância.
Linha do tempo — marcos essenciais
• 1958 — Fundação em Criciúma por Antenor e Arnaldo Angeloni, com início em estrutura pequena e familiar.
• 1969 — Primeira loja em Rincão (atual Balneário Rincão).
• 1972 — Nova unidade em Criciúma e aceleração da expansão estadual.
• 1983 — Chegada a Florianópolis.
• 2002 — Primeira unidade fora de SC, em Curitiba (PR).
• 2025 — Faturamento aproximado de R$ 3,9 bi (divulgação setorial).
• 2026 — Ranking ABRAS indica R$ 3,89 bi e o grupo anuncia novos movimentos de expansão.
