Perspectiva Política – Santa Catarina merece respeito, não generalizações

Declarações do presidente Lula ultrapassam o debate político ao atribuir características negativas a um estado inteiro e ao seu povo, que construiu sua história pelo trabalho, diversidade e acolhimento.

Há momentos em que o silêncio seria mais confortável. Este não é um deles.

O presidente da República tem o direito de discordar de governadores, criticar decisões políticas e defender suas convicções. Isso faz parte da democracia. O que não pode fazer é transformar uma divergência política em acusações que atingem um estado inteiro e milhões de brasileiros.

Ao afirmar que Santa Catarina sofre de “síndrome de grandeza”, falar em “hegemonia da ignorância” e estabelecer comparações com ideias associadas ao nazismo, o presidente Lula ultrapassou o campo do debate político e atingiu injustamente um povo que não pode ser reduzido a estereótipos ou responsabilizado coletivamente por posições individuais.

Santa Catarina não é isso.

Santa Catarina é um dos estados mais diversos do Brasil. Foi construída por descendentes de europeus, indígenas, africanos e, ao longo das últimas décadas, recebeu brasileiros de todas as regiões do país e imigrantes de dezenas de nacionalidades. Hoje vivem aqui nordestinos, paulistas, paranaenses, gaúchos, mineiros, haitianos, venezuelanos, argentinos e tantas outras pessoas que escolheram este estado para trabalhar, empreender, criar seus filhos e construir uma nova vida.

Este não é um estado que fecha portas. É um estado que abriu oportunidades para quem chegou disposto a trabalhar.

Como qualquer parte do Brasil, Santa Catarina possui desafios sociais, econômicos e também enfrenta casos de preconceito, que devem ser combatidos com rigor pela lei e pela sociedade. Mas transformar episódios isolados em característica de todo um estado significa cometer a mesma injustiça que se pretende combater.

Generalizações nunca ajudam a construir um país melhor.

O Brasil é uma federação formada por estados diferentes, cada um com sua história, cultura, identidade e contribuições. O papel do presidente da República é representar todos os brasileiros — inclusive aqueles que não votaram nele, aqueles que pensam diferente e aqueles que vivem nos estados que eventualmente fazem oposição ao governo federal.

Santa Catarina sempre contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento nacional. É referência em empreendedorismo, indústria, agronegócio, inovação, cooperativismo, educação profissional e qualidade de vida. Produz riqueza, gera empregos, exporta para o mundo e ajuda a sustentar a economia brasileira.

Defender Santa Catarina, neste momento, não é defender um governo, um partido ou uma corrente ideológica.

É defender um povo.

É defender milhões de catarinenses honestos, trabalhadores e acolhedores que acordam cedo todos os dias para construir suas vidas e ajudar a construir o Brasil.

As divergências políticas passam. Os governos passam. Mas o respeito entre brasileiros deve permanecer.

Santa Catarina merece críticas quando elas forem justas. O que não merece são acusações coletivas, comparações irresponsáveis e discursos que aprofundam divisões entre brasileiros.

O país precisa de mais diálogo, mais responsabilidade e mais respeito. Principalmente por parte de quem ocupa o cargo mais alto da República.

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