Perspectiva Política
Reconhecimento internacional, infraestrutura e a necessidade de resgatar a qualidade do debate político.
Mais um bom exemplo
Santa Catarina entrega mais um bom exemplo ao Brasil. A agência internacional S&P Global Ratings manteve o rating “BB” na escala global para o Estado, a melhor avaliação entre todas as unidades da Federação.

Equilíbrio fiscal
A nota reflete o equilíbrio das contas públicas, a condução de políticas fiscais prudentes e a continuidade de medidas voltadas ao estímulo do investimento privado. A avaliação também destaca o aumento dos investimentos em infraestrutura, o controle das despesas e a redução da dívida estadual.
Limite nacional
É importante observar que Santa Catarina poderia, tecnicamente, alcançar uma classificação superior. No entanto, pelos critérios da agência, nenhum estado pode receber nota acima da classificação soberana do país.
Gestão reconhecida
Em um país onde o equilíbrio das contas públicas nem sempre é prioridade, esse reconhecimento internacional merece registro. Boa gestão também é feita de planejamento, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e capacidade de manter investimentos. Quando esse conjunto produz resultados concretos, ele deve ser reconhecido e servir de inspiração para outras administrações.
Rodovias em alerta
Dados do Observatório da Fetrancesc mostram um quadro preocupante nas rodovias federais de Santa Catarina. No levantamento, apenas 0,53% dos trechos avaliados foram classificados como ótimos, 5,51% como bons e 12,06% como regulares. Em contrapartida, 36,32% aparecem como ruins e 45,58% como péssimos, evidenciando a necessidade de investimentos e ações urgentes.
Números que preocupam
O estudo considera as BRs 153, 158, 163, 280, 282, 285, 470 e 480. Ficaram fora do levantamento as BRs 101 e 116, administradas pela concessionária Arteris Planalto Sul. Ainda assim, o diagnóstico revela uma realidade que impacta diretamente a logística, a segurança viária e o desenvolvimento econômico do Estado.
Infraestrutura é desenvolvimento
Rodovias em más condições aumentam o custo do transporte, reduzem a competitividade das empresas catarinenses, elevam o risco de acidentes e dificultam o deslocamento de milhares de pessoas. Para um estado cuja economia depende fortemente da indústria, do agronegócio e da exportação, uma malha rodoviária eficiente deixa de ser apenas uma questão de infraestrutura e passa a ser um fator estratégico de desenvolvimento.
Compromisso coletivo
Cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes, priorizar investimentos capazes de reverter esse cenário. Da mesma forma, espera-se que a bancada catarinense no Congresso Nacional atue de forma unida na defesa dessa pauta. A melhoria das rodovias federais não deve ser uma bandeira partidária, mas um compromisso permanente com Santa Catarina e com todos que dependem delas para trabalhar, produzir e viver com mais segurança.
O debate perdeu qualidade?
O debate político brasileiro vem perdendo consistência eleição após eleição. Quem acompanha de perto as discussões nas redes sociais, no Parlamento e até mesmo nas comissões legislativas percebe que, cada vez mais, o foco deixa de estar nos projetos, nas propostas e no aperfeiçoamento das políticas públicas para se concentrar no confronto entre adversários.
Mais ataques, menos propostas
Com frequência, a discussão política acaba sendo substituída pela tentativa de desconstrução da imagem do oponente. Até mesmo a defesa de um governo, de um partido ou de um parlamentar muitas vezes deixa de se apoiar nos fatos para responder com novos ataques, alimentando um ciclo permanente de acusações.
O reflexo na sociedade
Esse comportamento acaba influenciando parte do próprio eleitorado, que reproduz nas redes sociais e no debate cotidiano a postura adotada por muitas lideranças políticas. O espaço para o diálogo diminui, enquanto cresce a dificuldade de discutir ideias sem transformar o adversário em inimigo.
Um fenômeno mundial?
Quando se observa o cenário internacional, percebe-se que esse comportamento não é exclusivo do Brasil. Em diferentes democracias, o ambiente político também tem sido marcado por forte polarização e por campanhas centradas em conflitos pessoais. Fica então uma reflexão: estaremos diante de uma tendência mundial, na qual propor soluções passou a render menos visibilidade do que atacar adversários? Se essa percepção estiver correta, o maior prejudicado continuará sendo o cidadão, que precisa de debates qualificados para escolher seus representantes.
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