Da teoria à prática

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está discutindo pontos do processo de reorganização do futebol nacional para o período que o presidente Samir Xaud chama de “segundo ciclo” da sua gestão. A nova etapa tem como projetos principais a realização da Copa do Mundo Feminina, que acontece no Brasil em 2027 e o início da preparação para a Copa do Mundo Masculina de 2030. Será um caminho longo, difícil, com obstáculos elevados, que vão exigir muita determinação e competência.
A prematura desclassificação brasileira no mundial – que ainda está em andamento – produziu feridas profundas e de difícil cura. Como sempre acontece nessas ocasiões, o momento nacional é de caça às bruxas, um motivo à mais para dificultar o reencontro com o sonhado caminho que nos devolva uma conquista mundial.
Pelo pouco que sei sobre a chamada “casa do futebol brasileiro” tenho bons motivos para acreditar no projeto que está sendo proposto. Como jornalista, torcedor e admirador do futebol, torço para que o futebol nacional encontre caminhos planos e abertos para o seu desenvolvimento e a sua retomada vitoriosa.
No meu ciclo profissional comemorei in loco as vitórias em 1994 (Estados Unidos) e 2002 (Coreia do Sul e Japão).
Também pessoalmente senti as derrotas de1990 (Itália), 1998 (França), 2006 (Alemanha), 2020 (África do Sul) e 2014 (Brasil). Logo, posso dizer que sei o qual é o sentimento de uma vitória ou de uma derrota. O mesmo sentimento que os atuais dirigentes do futebol nacional devem ter vivido nos Estados Unidos, com o agravante da responsabilidade direta pelo fracasso.
Que os novos planos de recuperação, que na teoria parecem ser oportunos, na prática sejam aprovados.
Novos nomes
O trabalho que está começando não pode ser encarado com soluções fáceis, porque os problemas são complexos. A manutenção do técnico Carlo Ancelotti – um legado deixado pelo ex-presidente Ednaldo Rodrigues e inteligentemente mantido pelo atual, Samir Xaud – é um bom começo. Como também entendo como necessárias radicais mudanças na atual Comissão Técnica, onde há vícios e comprometimentos pouco recomendáveis para quem deseja reconquistar o terreno perdido.
Menos, por favor
Na onda das idiotices dos que se intrometem onde não devem, leio que um Deputado quer transformar em Lei a proibição da convocação de jogadores que não estejam atuando no Brasil.
Com a cotação da moeda brasileira no exterior, só fica jogando por aqui quem for tão idiota quanto o proponente da Lei. Quem ainda está no Brasil não joga o suficiente para ter espaço em mercados mais desenvolvidos. O mesmo Deputado quer que o treinador seja brasileiro e aí lembro que os três técnicos anteriores ao Ancelotti, eram nacionais. O problema do futebol brasileiro está longe de ser apenas dos treinadores, mais vítimas do que réus.
