O que o Paraguai pode ensinar ao Brasil sobre competitividade

Com energia barata, simplificação tributária, incentivos à indústria e segurança jurídica, país vizinho atrai empresas brasileiras e ganha espaço como polo produtivo regional.

Imagem gerada por IA

O Paraguai vem se consolidando como um dos destinos mais atrativos para investimentos na América do Sul. O país vizinho, antes visto por muitos apenas como economia complementar ao Brasil, hoje é tratado por empresários e analistas como um novo polo de competitividade no Cone Sul.

A combinação explica o movimento: incentivos fiscais, energia barata, simplificação tributária, facilidades alfandegárias, menor custo trabalhista e maior previsibilidade para o investidor. O Banco Mundial aponta que o Paraguai cresceu 6,6% em 2025, acima das expectativas, impulsionado por consumo e investimento privados.

Um dos principais motores desse avanço é a Lei de Maquila, regime que permite a empresas estrangeiras produzirem no Paraguai com foco na exportação, pagando carga tributária reduzida. O modelo atraiu especialmente empresas brasileiras, que representam cerca de 70% das operações instaladas no regime, em setores como autopeças, têxteis, plásticos e eletrodomésticos.

Mais de 200 indústrias brasileiras já se instalaram no país, buscando custos menores e maior competitividade. Empresas como Lupo e Kidy são citadas entre os exemplos de companhias que passaram a produzir do outro lado da fronteira para reduzir o chamado Custo Brasil.

A energia é outro diferencial. O Paraguai possui excedente de geração hidrelétrica, especialmente por meio de Itaipu e Yacyretá, e oferece custo energético muito inferior ao brasileiro. Para setores industriais intensivos em energia, essa diferença pode ser decisiva na escolha do local de produção.

O ambiente tributário também chama atenção. O país oferece regras mais simples, impostos menores e, em determinados regimes, isenções sobre importação de máquinas, matéria-prima e dividendos. A atualização da Lei de Maquila ampliou a segurança jurídica e reforçou a previsibilidade para investidores.

O resultado aparece em outros setores. O mercado imobiliário, a construção civil, a logística e os serviços passaram a se beneficiar do avanço industrial e da chegada de capital estrangeiro. A proteção à propriedade privada e regras mais rígidas contra invasões de terras também são apontadas como fatores de confiança para investidores.

E há um ponto que merece atenção no Brasil: apesar de custos menores para empresas, o salário mínimo paraguaio é superior ao brasileiro em valores nominais recentes, enquanto os encargos sobre a contratação são mais baixos. Isso mostra que competitividade não precisa significar necessariamente precarização, mas sim um ambiente no qual produzir, contratar e investir seja menos oneroso.

Cada país tem sua história, suas limitações e suas escolhas. O Brasil possui mercado interno muito maior, estrutura produtiva mais complexa e desafios sociais de outra dimensão. Mas o Paraguai deixa uma lição clara: regras simples, energia competitiva, segurança jurídica e respeito ao setor produtivo ajudam a atrair capital, gerar empregos e melhorar a renda.

O chamado “Tigre do Cone Sul” talvez não seja um modelo a ser copiado integralmente. Mas certamente é um caso que o Brasil deveria observar com mais atenção.

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