Cooperativa Regional Auriverde — do pioneirismo em Cunha Porã à força cooperativista que sustenta o campo

Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Quando 69 agricultores decidiram criar, em 1968, a então Cooperativa Agrícola Mista Cunha Porã Ltda., não estavam apenas organizando produção e comercialização. Estavam escolhendo um caminho coletivo numa época em que cooperativismo ainda era, para muitos, sinônimo de dúvida e risco. A Auriverde nasce desse cenário — com dificuldade, desconfiança e, ao mesmo tempo, com aquela teimosia típica de quem vive do campo e sabe que só existe colheita quando alguém planta primeiro.

A virada que moldou a cooperativa como ela é hoje veio em 1975, com a fusão com a cooperativa de Maravilha, adotando o nome Cooperativa Regional Auriverde. Depois, a história seguiu somando território e estrutura: em 1982, incorporou a COAPESC (São Carlos); em 2008, incorporou a COOPERCOLINA, de Orleans. E, em 2018, atravessou fronteira estadual ao expandir atuação para o noroeste do Rio Grande do Sul, ampliando presença sem abrir mão da identidade de origem.

Por trás dessas datas, existe um modelo de “agro completo” que explica a relevância regional. Na área de atuação da Auriverde, a produção passa por suínos, aves e leite, além de lavouras como milho, soja, feijão, trigo e outras culturas. E a cooperativa foi construindo braços que conectam o associado à vida real: varejo, indústrias, assistência, recebimento e serviços — a cadeia inteira para o produtor não ficar sozinho entre a porteira e o mercado.

O retrato recente ajuda a entender o tamanho alcançado. Em 2025, segundo balanço apresentado em assembleias, a Auriverde chegou a R$ 1,689 bilhão de faturamento, com crescimento de 17,07% em relação ao ano anterior — e acumulou 203% de crescimento em dez anos. A estrutura também aparece em números: 44 unidades, 5.959 associados e 920 colaboradores, atuando em varejo, indústrias, agricultura e pecuária.

A força do cooperativismo, porém, não é só escala: é governança e pertencimento. As mesmas assembleias que aprovam contas e destinação de resultados reafirmam o princípio central: sobras e decisões voltam, de um jeito ou de outro, para quem constrói a cooperativa todos os dias. Não por acaso, a própria Auriverde costuma explicar seu nome como “amanhecer no campo” — uma imagem simples que traduz o essencial: recomeçar cedo, produzir mais e melhor, e fazer isso em conjunto.

E há, ainda, o reconhecimento externo como consequência desse caminho. No ranking 500 Maiores do Sul (ano-base 2023), a Auriverde aparece destacada — 41ª entre as maiores empresas de Santa Catarina e 169ª no ranking geral — um tipo de validação que, para o cooperado, costuma significar algo direto: uma instituição mais sólida para atravessar safra boa e safra ruim, custo alto e preço baixo, sem perder a mão do longo prazo.

Linha do tempo — marcos essenciais
1968 — Fundação em Cunha Porã por 69 agricultores (Cooperativa Agrícola Mista Cunha Porã Ltda.).
1975Fusão com a cooperativa de Maravilha e adoção do nome Cooperativa Regional Auriverde.
1982 — Incorporação da COAPESC (São Carlos/SC).
2008 — Incorporação da COOPERCOLINA (Orleans/SC).
2018 — Expansão para o noroeste do RS.
2025R$ 1,689 bi de faturamento; 44 unidades, 5.959 associados, 920 colaboradores.
2024 (ano-base 2023) — Destaque no 500 Maiores do Sul: 41ª em SC e 169ª no geral.

Mais do que uma sequência de incorporações e números, a história da Auriverde é um lembrete do que Santa Catarina constrói quando decide cooperar de verdade: estrutura para produzir, mercado para vender, serviço para sustentar a rotina — e gente para manter tudo isso funcionando. Fica o reconhecimento ao que já foi realizado até aqui: aos pioneiros de 1968, aos associados que mantêm a cooperativa viva e às equipes que fazem o “amanhecer no campo” acontecer todos os dias.

Sobre o autor

Compartilhar em: