Entre a fome e o palco, qual deve ser a prioridade do poder público?
Nordeste reúne cerca de 5 milhões de pessoas em extrema pobreza e concentra mais de R$ 2,2 bilhões em contratos públicos para shows

Os números revelam uma realidade que merece reflexão. Levantamento do FGV IBRE aponta que o Nordeste concentra a maior taxa de extrema pobreza do país: 8,7% da população, o equivalente a aproximadamente 5 milhões de pessoas vivendo em situação de extrema vulnerabilidade.
Ao mesmo tempo, o relatório Farras, do observatório De Olho nos Ruralistas, mostra que a região concentrou 5.818 apresentações — cerca de 78% dos shows públicos analisados entre janeiro de 2024 e março de 2026 — somando aproximadamente R$ 2,22 bilhões em contratos firmados por prefeituras e governos estaduais.
Não está em debate a importância da cultura. A música, as festas populares e os artistas fazem parte da identidade do povo brasileiro e merecem respeito.
O questionamento é outro: quando milhões de brasileiros ainda enfrentam a fome e a extrema pobreza, qual deve ser a prioridade da administração pública?
É legítimo investir em cultura. Mas é igualmente legítimo cobrar dos gestores que, antes de autorizar contratos milionários para entretenimento, garantam o mínimo à população: alimentação digna, atendimento de saúde, educação de qualidade e condições para que as famílias possam viver com dignidade.
Uma sociedade que ainda convive com milhões de pessoas em extrema pobreza precisa estabelecer prioridades. O espetáculo pode esperar. A fome, não.
Governar é fazer escolhas. E, diante de um orçamento público limitado, a primeira obrigação do Estado deve ser assegurar condições mínimas de sobrevivência à população. Cultura é importante. Alimentação digna é indispensável.
Hashtags: #Nordeste #ExtremaPobreza #GestãoPública #Prioridades #CombateÀFome #GastosPúblicos #Cultura #FGVIBRE #DMANotícias
