A eleição acabou. Chega de alimentar fantasias

Discursos sobre separar o Brasil ou antecipar a disputa presidencial alimentam divisões e ignoram os limites da Constituição.

A eleição terminou, mas há quem insista em colocar gasolina na fogueira. Entre as ideias que circulam nas redes sociais estão a separação do Brasil e a realização de outra eleição presidencial antes de 2030. Apresentadas como soluções simples, essas narrativas criam expectativas sem fundamento e aprofundam a divisão entre brasileiros.

O Brasil não pode ser repartido conforme a preferência eleitoral de seus habitantes. A Constituição estabelece a união indissolúvel dos estados, municípios e Distrito Federal. A forma federativa é protegida como cláusula pétrea. Nenhuma insatisfação com o resultado das urnas autoriza um estado ou uma região a abandonar o país.

Quanto à possibilidade de outra eleição presidencial durante o mandato, existem regras específicas. Se apenas a Presidência ficar vaga, o vice assume. A realização de uma nova eleição depende da vacância dos dois cargos, nas hipóteses legais.

O artigo 81 determina que, ocorrendo a dupla vacância nos primeiros dois anos do período presidencial, haverá eleição direta, com participação popular, noventa dias depois da abertura da última vaga. Nos últimos dois anos, a escolha será indireta, pelo Congresso Nacional, em trinta dias. Em ambos os casos, os eleitos apenas completarão o mandato em curso.

Portanto, uma nova votação não nasce da vontade de militantes, de manifestações de descontentamento ou de publicações com grande alcance. Eventuais contestações eleitorais também dependem de fundamentos, provas e decisões das instituições competentes.

Na avaliação deste portal, vender atalhos para reverter uma derrota é uma irresponsabilidade. Quem alimenta essas fantasias mantém seus seguidores mobilizados, mas transfere para a sociedade o custo de uma campanha que parece nunca terminar.

A oposição tem trabalho a fazer: fiscalizar, cobrar, apresentar alternativas e preparar as próximas disputas. O governo, por sua vez, precisa administrar para todos e responder pelos resultados de suas escolhas.

O Brasil precisa enfrentar problemas reais. Transformar frustração eleitoral em promessa de separação ou de uma revanche imediata apenas prolonga o confronto. A democracia exige responsabilidade também depois que os votos são contados.

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