15 Minutos Diários
Texto reproduzido do livro “Histórias de Aprendiz” publicado pelo colunista.

O argentino era fotógrafo. Dos bons. Viajou o mundo atrás de imagens espetaculares, enquanto teve vontade e disposição.
Tinha um sonho: viver à beira-mar – de preferência mar azul ou esverdeado, de águas transparentes – próximo do seu veleiro. Descobriu o paraíso sonhado: Angra dos Reis. Ancorou seu barco na baía e passou a viver numa casa com trapiche e vista para as ilhas, para o verde das montanhas, para o oceano.
Continuou viajando e fotografando, que era esse seu jeito de ganhar a vida. Mas ficava cada vez mais tempo naquele pequeno paraíso particular.
O jardim entre a casa e o trapiche pedia uma mesa onde fazer as refeições, ler seus livros e jornais, descansar, apreciar o nascer e o pôr do sol, curtir o ócio. Decidiu ele próprio construir a mesa. Optou por uma mesa com tampo de mosaico, resistente à chuva e ao sol. O resultado ficou bom. Tão bom que logo apareceram as primeiras encomendas, de amigos e conhecidos. Comprou livros e revistas especializadas. Tempos depois, tinha se transformado no mais famoso e criativo “artista do mosaico” da região. Já não precisava mais largar seu paraíso de Angra para correr mundo atrás de imagens. O novo ofício lhe trazia prazer, realização e sustento digno.
A repórter da revista se mostra surpresa: “Seus mosaicos são lindos! Aprendeu sozinho? Como?”
– Simples, como tudo na vida – explica o argentino. – Qualquer pessoa que resolva dedicar 15 minutos diários a um assunto, ao final de um ano, será especialista no tema. Sim, bastam 15 minutos diários…
História que li numa revista de bordo.
O personagem é pai de Fernando Meligeni, o Fininho, jogador de tênis, argentino com coração brasileiro.
