Foi uma derrota dura, mas merecida. A velha citação de que “a bola pune” mais uma vez foi confirmada e o Brasil perdeu (2×1) para a Noruega e está fora da Copa do Mundo. No jogo de ontem talvez possa ser aplicada outra definição para justificar a derrota: “a bola pune, mas também consagra”. No pênalti perdido por Bruno Guimarães e nas chances desperdiçadas, a bola nos puniu. E nos dois gols do norueguês Haaland, a bola consagrou não só o excepcional centroavante como também o seu time e o seu país.

Agora vai começar a tradicional caça às bruxas, onde será preciso ter inteligência e responsabilidade para entender que as mudanças necessárias no futebol brasileiro não estão apenas na escolha dos jogadores e nos seus comportamentos em campo, mas na administração global do futebol nacional e na montagem e preparação de uma seleção.

O futebol evoluiu e seus métodos de administração também precisam mudar. É só olhar pelo espelho para registrar os fatos que sustentaram ao longo de toda a fase eliminatória, a preparação (?) brasileira. Cheia de percalços, de incertezas e de erros que acabaram por transferir, mais uma vez, o sonho do torcedor que vai continuar nos próximos quatro anos, no seu tradicional lugar: na padaria.

Culpado?

Mal terminado o jogo ouvi duras críticas ao técnico Carlo Acelotti, com as quais não concordo. O nosso “míster” fez o possível com o material que dispunha. Além do pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, com a defesa do goleiro; Endrick, Casimiro e Vini Jr perderam chances que fizeram a diferença. Em alguns momentos o time “dormiu” no jogo e Ancelotti não tinha como entrar no campo. As estrelas não brilharam.

Personalidade

A dura competição do futebol exige determinação, vontade e personalidade por parte dos jogadores. Na cobrança do primeiro pênalti, por exemplo, caberia ao Vini Jr. a responsabilidade. Ao astro do time compete a dura missão, mas seria preciso Vini Jr. fazer o que fez o Neymar, na segunda penalidade: pegou a bola, assumiu, enfrentou a provocação do goleiro adversário e bateu com maestria, marcando o gol brasileiro.

Bingo

Com os olhos na TV, ouvi Brasil x Noruega na excepcional narração do Nilson César (Rádio Jovem Pan/SP). Em determinado momento, quando Haaland perdeu um gol, o comentarista Flávio Prado interveio e foi enfático: “Em duas chances, ele faz uma e em três, faz duas”. Bingo. Halland teve três oportunidades e fez dois gols.

O duro retorno

Ver a seleção do seu país cair numa Copa do Mundo, também é muito difícil para a maioria dos jornalistas que estão na cobertura do evento. Sem razão para continuar o retorno é iminente, com um agravante: devolver para o financeiro da empresa os dólares das diárias previstas até o final da competição. É que na previsão orçamentaria, uma “economia” sempre é programada o que dá um bom saldo positivo para quem fica até o final.

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