Para, hidrata, fatura e orienta

Tanto quanto a disputa de cada jogo, um evento apresentado pela Fifa na Copa do Mundo tem recebido generosas citações da mídia esportiva que acompanha a competição. Trata-se da chamada “parada para hidratação” que interrompe a partida por três minutos na metade de cada tempo, permitindo aos jogadores irem até a lateral do gramado tomar água e ouvir seus treinadores.
Apesar das contrariedades, isso não é nenhuma novidade. Em copas anteriores a Fifa já previa pausas de hidratação quando a temperatura no início da partida superava 31 °C, com interrupção durando cerca de 3 minutos. Esse modelo buscava alinhar o calor extenso (clima de verão, estádios geograficamente quentes) com uma medida preventiva clara.
Agora, a Fifa determinou que haverá uma pausa de 3 minutos para hidratação em todos os jogos independente da cidade sede, da hora do jogo ou da temperatura exata registrada. Até mesmo num estádio climatizado, com temperatura de 22º C.
Mas se a tal parada já existia, qual a razão das atuais críticas? Talvez pelo fato de que, dentro da sua tradição, a competição a cada edição amplia seus espaços comerciais aumentando o seu faturamento.
Aliás, ainda não sei se as inserções comerciais das paradas são comercializadas pela entidade ou pelos seus prepostos (os detentores de direitos de transmissão) com divisão de faturamento ou não. O que vou saber.
De qualquer forma me causa estranheza a contrariedade, haja vista estar devidamente enquadrada num plano mercadológico cada dia mais necessário ao futebol.
Hoje a tal “parada” não só hidrata como fatura e orienta.
Sim, porque os treinadores têm usado do expediente para orientar seus jogadores, corrigir falhas e até mudar rumos de algumas partidas. O beneficia os mais competentes.
Não se espantem se ela vier para os nossos estaduais. Por mim, será bem-vinda.
Momento Dourado
Já que citei o aspecto comercial, não custa lembrar que nenhum evento consegue mobilizar tanto a atenção da população global e produzir tamanha riqueza quanto a Copa do Mundo de Futebol. A atual competição prevê uma movimentação de 80 bilhões de dólares na economia global. O número é baseado na comercialização de passagens aéreas, hospedagens, alimentação, segurança, marketing, tecnologia, logística e outros derivados. Estima-se que cerca de 800 mil empregos estão sendo gerados nos três países sedes (Estados Unidos, México e Canadá), na cadeia do evento.
