O rombo continua crescendo: dívida pública chega a R$ 11,1 trilhões
Setor público registra déficit de R$ 10 bilhões em agosto; com R$ 105,9 bilhões em juros, resultado negativo do mês alcança R$ 115,9 bilhões e dívida bruta sobe para 82,9% do PIB.

Os números divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Banco Central mostram novamente o tamanho do desafio das contas públicas brasileiras.
O setor público consolidado — que reúne Governo Central, estados, municípios e empresas estatais — registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto.
Isso significa que, mesmo antes de considerar os juros da dívida, as despesas superaram as receitas.
O resultado negativo veio do Governo Central, que apresentou déficit de R$ 14,7 bilhões.
Estados e municípios caminharam na direção contrária e registraram superávit de R$ 2,7 bilhões, enquanto as empresas estatais apresentaram resultado positivo de aproximadamente R$ 2 bilhões.
No acumulado de janeiro a agosto, o déficit primário do setor público chega a R$ 88,9 bilhões.
Mas é quando os juros entram na conta que os números ganham outra dimensão.
Somente em agosto, o setor público desembolsou R$ 105,9 bilhões em juros nominais.
Somados ao déficit primário, fizeram o resultado nominal negativo do mês alcançar R$ 115,9 bilhões.
Em outras palavras, para cada R$ 1 de déficit primário registrado em agosto, houve mais de R$ 10 em despesas com juros.
Nos últimos 12 meses, os juros nominais chegaram a aproximadamente R$ 1,18 trilhão, equivalentes a 8,86% do PIB. Quando se considera o resultado completo das contas públicas, o déficit nominal acumulado em 12 meses alcança R$ 1,264 trilhão, ou 9,48% do PIB.
É uma conta extremamente pesada.
E ela aparece diretamente na evolução da dívida.
A Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto.
Em julho, estava em 82,5% do PIB. Somente em 2026, já avançou 4,2 pontos percentuais.
Segundo o próprio Banco Central, o principal fator para esse crescimento no ano foi justamente a incorporação dos juros, que acrescentou o equivalente a 6,5 pontos percentuais do PIB à dívida, parcialmente compensados pelo crescimento nominal da economia e por outros fatores.
Os números ajudam a compreender a dimensão do problema.
R$ 10 bilhões de déficit primário em agosto.
R$ 88,9 bilhões de déficit primário no ano.
R$ 105,9 bilhões de juros em apenas um mês.
R$ 115,9 bilhões de déficit nominal em agosto.
R$ 1,264 trilhão de déficit nominal em 12 meses.
R$ 11,1 trilhões de dívida bruta.
Não existe uma única causa para esse quadro.
O nível elevado dos juros pesa fortemente sobre o custo da dívida. Ao mesmo tempo, resultados primários negativos significam que o setor público não está produzindo recursos suficientes para contribuir para a estabilização do endividamento.
As duas coisas acabam se alimentando.
Quanto maior a dívida, maior pode ser a conta de juros.
Quanto maiores os juros, mais difícil fica conter a expansão da dívida.
E déficits primários acrescentam pressão a essa equação.
A taxa Selic está atualmente em 13,75% ao ano, um patamar que torna ainda mais caro o financiamento do setor público.
O Brasil encerrou 2025 com uma dívida bruta equivalente a aproximadamente 78,7% do PIB.
Oito meses depois, está em 82,9%.
São 4,2 pontos percentuais de aumento em apenas oito meses.
O debate sobre as contas públicas muitas vezes fica preso a expressões técnicas — resultado primário, resultado nominal, dívida bruta, dívida líquida, meta fiscal.
Mas existe uma realidade muito mais simples por trás desses conceitos:
quando o setor público gasta mais do que arrecada e ainda precisa pagar uma conta elevada de juros, a dívida cresce.
É exatamente o que os números do Banco Central estão mostrando.
A questão fiscal não se resolve em um único mês e muito menos por meio de uma única medida.
Mas a trajetória importa.
E a trajetória atual merece atenção.
Uma dívida de R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% de tudo o que o país produz em um ano, limita o espaço do Estado, aumenta a importância do controle das despesas e torna o crescimento econômico ainda mais necessário.
O problema não está apenas no tamanho da dívida.
Está na velocidade com que ela continua aumentando.
O rombo continua crescendo.
E, junto com ele, cresce também a conta que o Brasil terá de administrar nos próximos anos.
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