Governo revê “taxa das blusinhas” e amplia pacote popular em meio à pressão das pesquisas
MP zera imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 e se soma a medidas como Desenrola 2.0 e fim da escala 6×1, reacendendo debate sobre custo fiscal e motivação eleitoral.

Com a desaprovação pessoal e do governo em patamar elevado, o presidente Lula passou a acelerar uma agenda de medidas de forte apelo popular. Nesta terça-feira, 12, assinou uma medida provisória para zerar o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, encerrando a cobrança que ficou conhecida como “taxa das blusinhas”. A mudança passa a valer a partir da publicação da MP no Diário Oficial da União.
A decisão chama atenção porque a taxação havia sido implementada no próprio governo Lula. Agora, diante do desgaste político provocado pela medida e da pressão sobre o consumo popular, o Planalto recua e tenta retirar da pauta um dos temas mais impopulares junto a consumidores de baixa e média renda.
A revisão da “taxa das blusinhas” não aparece isolada. Ela se soma ao Novo Desenrola Brasil, lançado em 4 de maio, com descontos de até 90%, prazo de até quatro anos para pagamento e juros reduzidos para renegociação de dívidas. Também faz parte desse ambiente político o projeto enviado ao Congresso para encerrar a escala 6×1 e reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais.
São medidas com apelo evidente. Ajudam consumidores, endividados e trabalhadores. O problema é que toda política pública precisa responder a uma pergunta básica: qual será o custo e quem vai pagar a conta?
O governo tem o direito de rever decisões, corrigir rumos e propor ações populares. Mas quando um imposto criado no próprio mandato é retirado em ano eleitoral, quando programas de renegociação ganham força e quando pautas trabalhistas avançam em ritmo acelerado, é natural que surja a leitura política: o Planalto tenta recuperar terreno junto ao eleitorado.
A frase pode soar dura, mas resume a dúvida de muitos brasileiros: primeiro se resolve a eleição, depois se vê a economia?
O país precisa de medidas que aliviem a vida da população, mas também precisa de responsabilidade fiscal, previsibilidade e coerência. Alívio imediato sem explicação sobre impacto orçamentário pode virar problema futuro. E o Brasil já conhece bem esse ciclo: decisões populares no curto prazo, conta pesada no médio prazo.
O eleitor deve observar não apenas o benefício anunciado, mas também a sustentabilidade da medida. Porque política pública séria não pode ser apenas resposta à queda nas pesquisas. Precisa ser solução real, planejada e capaz de melhorar a vida das pessoas sem comprometer ainda mais a economia.
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