Free flow avança no Brasil, mas pedágio sem cabines ainda está distante
Modelo de cobrança automática prometia modernizar rodovias e reduzir custos, mas implantação lenta levou a ANTT a ajustar regras para conversão de praças existentes.

O free flow, modelo de pedágio sem cabines e cancelas, chegou ao Brasil com promessa de modernizar rodovias, dar mais fluidez ao tráfego, reduzir custos operacionais para concessionárias e ampliar o mercado de tags. Na prática, porém, o avanço ainda está longe do ritmo esperado.
O sistema começou a operar oficialmente no país em março de 2023, com pórticos instalados na Rio-Santos, na BR-101. Desde então, a tecnologia se expandiu pouco, enfrentando dificuldades regulatórias, operacionais, tarifárias e de adaptação dos usuários.
Em março deste ano, a ANTT publicou a Resolução nº 6.079, consolidando regras para o sistema de livre passagem em rodovias federais concedidas. A norma define o free flow como modelo em que veículos passam por pórticos que identificam automaticamente tags ou placas, com cobrança eletrônica, sem necessidade de parada.
A nova regulamentação também permite que concessionárias solicitem formalmente a conversão de estruturas existentes para o modelo sem cancela. A mudança é importante, mas não automática. Cada pedido deverá ser avaliado pela ANTT, que terá prazo para analisar os impactos e poderá negar a conversão caso não identifique vantagem tarifária ao usuário.
No setor, há projeções de que até 80% das praças de pedágio possam ser convertidas entre 2033 e 2035. Ainda assim, transformar mais de mil praças existentes em pórticos de cobrança automática exigirá investimentos, tecnologia confiável, regras claras de pagamento, fiscalização eficiente e comunicação adequada com os motoristas.
O free flow continua sendo uma boa ideia. Pode reduzir filas, melhorar a segurança, diminuir emissões e tornar a cobrança mais proporcional ao uso da rodovia. Mas, por enquanto, o sonho do pedágio sem cancelas ainda depende de regulação, confiança e execução.
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