Carreiras longas no Congresso reacendem debate sobre renovação política

Renan Calheiros e Paulo Paim são exemplos de parlamentares com mais de quatro décadas de mandatos em Brasília, trajetória legitimada pelo voto, mas que levanta discussão sobre renovação.

No Brasil, há uma extensa lista de carreiras políticas tão longas que acabam se confundindo com uma profissão permanente. Também não é raro que esse legado seja transmitido dentro das próprias famílias, com mandatos ocupados por pais, filhos, cônjuges, irmãos, primos e outros parentes.

Dois exemplos ajudam a ilustrar esse fenômeno.

Fotos: Senado Federal

O senador Renan Calheiros, de Alagoas, iniciou sua trajetória antes mesmo de chegar a Brasília. Foi deputado estadual em seu estado e, em 1983, assumiu mandato de deputado federal, sendo reeleito depois. Mais tarde, chegou ao Senado, onde cumpre seu quarto mandato como representante de Alagoas. Seus mandatos senatoriais começaram em 1995 e se sucederam até a atual legislatura.

Outro exemplo é o senador Paulo Paim, do Rio Grande do Sul. Ele foi eleito deputado federal em 1986 e exerceu quatro mandatos na Câmara dos Deputados. Em 2002, foi eleito senador e atualmente cumpre seu terceiro mandato no Senado Federal.

Nos dois casos, estamos falando de mais de 40 anos de atuação no Congresso Nacional. Se forem novamente reeleitos, parlamentares com trajetórias desse tipo podem se aproximar de meio século de vida pública em Brasília.

Ficamos apenas nesses dois exemplos, mas o próprio site da Câmara dos Deputados e do Senado Federal permite encontrar diversos parlamentares que chegaram a Brasília há 20, 30 ou 40 anos e nunca mais saíram.

Se isso é bom para o país, é uma pergunta que cada eleitor deve responder. O fato objetivo é que, quando há voto popular, há legitimidade democrática. Ao mesmo tempo, a longevidade política também abre uma discussão necessária sobre renovação, alternância de poder, formação de novas lideranças e qualidade da representação.

No fim, a democracia entrega ao eleitor a decisão. É ele quem mantém, substitui ou renova seus representantes.

Há, porém, um outro aspecto que merece reflexão. Manter a estrutura do Poder Legislativo representa um investimento elevado para os cofres públicos. Estimativas apontam que um deputado federal custa mais de R$ 3 milhões por ano aos contribuintes, considerando salários, estrutura de gabinete, assessores, benefícios e demais despesas relacionadas ao exercício do mandato. No Senado Federal, esse custo é ainda maior por parlamentar.

Diante desse cenário, surge uma pergunta legítima para a sociedade: a política com mandato continua sendo uma missão temporária de representação popular ou, em muitos casos, transformou-se em uma profissão permanente? A resposta, novamente, cabe ao eleitor, que a cada eleição decide se prefere manter nomes tradicionais ou apostar na renovação de seus representantes.

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