Aposentados e idosos podem decidir as eleições de 2026

Eleitores com 60 anos ou mais já representam quase um quarto do eleitorado brasileiro; experiência acumulada também significa responsabilidade na escolha do futuro do país

Caro leitor, você sabia que 32,8 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022?

Foi uma abstenção de 20,95% do eleitorado naquele momento.

Agora observe outro número.

Nas eleições de 2026, o Brasil possui 37,46 milhões de eleitores com 60 anos ou mais.

Eles representam 23,6% de todos os brasileiros aptos a votar.

Em 2022 eram 32,89 milhões. Em apenas quatro anos, portanto, esse contingente cresceu em mais de 4,5 milhões de pessoas.

É uma força eleitoral gigantesca.

E dentro desse grupo existe uma parcela para a qual o voto já é facultativo: brasileiros com 70 anos ou mais não possuem mais obrigação legal de comparecer às urnas.

É justamente a essas pessoas que gostaria de fazer um apelo.

Eu também faço parte dessa geração.

Carregamos algo que nenhum livro consegue reproduzir integralmente: experiência de vida.

Acompanhamos governos.

Vimos planos econômicos nascerem e desaparecerem.

Conhecemos inflação descontrolada.

Vivemos mudanças de moeda.

Assistimos ao crescimento do país e também às oportunidades desperdiçadas.

Vimos avanços sociais, crises econômicas, escândalos políticos, conquistas importantes e erros que custaram caro aos brasileiros.

Podemos comparar.

E essa experiência nos entrega também uma responsabilidade.

Talvez não apenas conosco.

Principalmente com aqueles que virão depois.

Filhos.

Netos.

Bisnetos.

As próximas gerações receberão o Brasil que ajudarmos a construir agora.

Não estou defendendo nesta matéria nenhum candidato, seja para Presidência, Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas.

Não estou pedindo voto para direita, esquerda ou centro.

Estou defendendo participação.

O Brasil possui problemas enormes e conhecidos.

Não precisamos novamente relacioná-los um a um.

Quem vive neste país conhece as dificuldades.

Justamente por termos vivido mais, talvez tenhamos condições ainda melhores de reconhecer quando uma promessa é possível e quando é apenas discurso eleitoral.

Por isso, quem já não possui obrigação legal de votar deveria avaliar com muita atenção a possibilidade de comparecer mesmo assim.

O voto facultativo significa direito de escolher, não recomendação para ficar em casa.

Aliás, uma pesquisa Datafolha realizada neste mês mostrou que 61% dos brasileiros com 60 anos ou mais afirmam que votariam mesmo se o voto não fosse obrigatório, percentual superior à média nacional.

Isso demonstra que nossa geração continua interessada no futuro do país.

E precisa estar.

Uma eleição não deveria ser decidida apenas por paixão política.

Muito menos por vídeos de redes sociais, ataques pessoais, frases de efeito ou promessas impossíveis.

Leia.

Pesquise.

Compare propostas.

Analise a trajetória dos candidatos.

Veja aquilo que já fizeram quando tiveram responsabilidade pública.

Observe quem apresenta soluções e quem apenas aponta culpados.

Pergunte como cada promessa será financiada.

E depois faça sua escolha livremente.

O voto é individual.

Ninguém possui o direito de determinar como outra pessoa deve votar.

Mas existe uma enorme diferença entre escolher conscientemente uma candidatura e simplesmente abandonar a decisão nas mãos dos outros.

Quem possui 70, 80 ou 90 anos pode pensar:

“Meu voto não fará diferença.”

Fará.

Uma eleição pode ser decidida por margens muito pequenas.

Milhões de pessoas que poderiam participar e optam por não fazê-lo deixam que outros escolham também por elas.

Nós, que já percorremos uma parte maior da estrada, talvez tenhamos ainda outra obrigação moral.

Ajudar aqueles que estão começando.

Não dizendo em quem devem votar.

Mas mostrando que escolhas possuem consequências.

Que governos passam.

Que decisões econômicas permanecem.

Que dívidas ficam.

Que obras bem realizadas permanecem.

Que erros políticos podem custar décadas.

Que nenhum salvador da pátria existe.

E que democracia exige responsabilidade de quem governa, mas também de quem escolhe os governantes.

O Brasil que gostaríamos de entregar às próximas gerações deveria ser mais justo, menos desigual, com mais oportunidades, mais empregos, serviços públicos melhores e principalmente mais esperança.

Talvez não vejamos todas essas mudanças acontecerem.

Mas podemos ajudar a escolher quem acreditamos ter melhores condições de iniciar ou continuar esse caminho.

É pouco?

Não.

É exatamente o instrumento que a democracia colocou em nossas mãos.

Por isso, meu apelo aos aposentados, pensionistas e principalmente àqueles que já possuem voto facultativo é simples:

não desistam de participar.

Não votem porque alguém mandou.

Não votem movidos pelo medo.

Não votem apenas contra alguém.

Conheçam as propostas e escolham aquele que, na sua consciência, apresenta o melhor projeto para o Brasil.

Nossa geração já recebeu muito deste país.

Também sofreu muito com seus erros.

Talvez uma das últimas grandes contribuições que possamos oferecer seja justamente ajudar a deixar para aqueles que virão depois um Brasil melhor do que aquele que encontramos.

Em outubro, milhões de idosos terão liberdade para ficar em casa.

Mas também terão a liberdade de ir às urnas e ajudar a decidir o futuro de mais de 200 milhões de brasileiros.

Experiência também é responsabilidade.

E o voto continua sendo nossa maior ferramenta para exercê-la.

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