Penha: tradição açoriana, mariscos e o parque que colocou a cidade no mapa do turismo nacional

Foto: Pref Penha

Penha é uma cidade que aprendeu a crescer olhando para o mar. No litoral norte de Santa Catarina, entre a Baía da Babitonga, Navegantes, Balneário Piçarras e o eixo econômico de Itajaí e Joinville, o município combina tradição pesqueira, praias, gastronomia açoriana e um dos maiores motores turísticos do país: o Beto Carrero World. Mas reduzir Penha ao parque seria pouco. Antes de se tornar destino nacional de famílias e visitantes de todo o Brasil, a cidade já tinha uma história própria, construída nas armações baleeiras, na pesca artesanal e no cotidiano das comunidades litorâneas.

A origem de Penha remonta ao século XVIII, quando pescadores portugueses, em grande parte açorianos, chegaram à região em busca de novos pontos para a caça e o beneficiamento de baleias. A Armação do Itapocoroy se tornou uma das maiores armações baleeiras do Sul do Brasil, dando base à ocupação local e marcando profundamente a relação da cidade com o mar. Esse passado ainda aparece na cultura, na culinária, nas festas religiosas e no jeito comunitário das antigas vilas de pescadores.

Com 33.663 habitantes no Censo de 2022, Penha tem hoje uma densidade urbana alta para os padrões catarinenses e vive uma dinâmica de crescimento puxada pelo turismo, pela hotelaria, pelo comércio e pelos serviços. O município mantém raízes na pesca e na maricultura, especialmente na produção de mariscos, mas a economia ganhou outra escala a partir da consolidação do Beto Carrero World, inaugurado em 1991 e reconhecido como o maior parque temático da América Latina. A presença do parque transformou a cidade em polo turístico, impulsionando hospedagem, restaurantes, transporte, construção civil e o comércio local.

Socialmente, Penha é uma cidade de encontros. De um lado, conserva comunidades tradicionais ligadas ao mar, com famílias que vivem há gerações da pesca, da gastronomia e dos pequenos negócios. De outro, recebe moradores e investidores atraídos pelo crescimento turístico e pela proximidade com centros urbanos maiores. Essa convivência cria uma cidade em transformação: mais movimentada, mais valorizada e mais desafiada a equilibrar desenvolvimento, infraestrutura e preservação da identidade litorânea.

O grande caso diferenciado de Penha está justamente nessa dupla vocação. Poucas cidades catarinenses unem, em um território relativamente pequeno, a memória de uma antiga armação baleeira, praias de forte apelo turístico, a produção de mariscos e um parque temático de projeção internacional. O Beto Carrero World mudou a escala econômica do município, mas a alma da cidade continua ligada ao mar. É nesse contraste que Penha se destaca: destino de diversão para milhões de visitantes e, ao mesmo tempo, cidade de pescadores, ranchos, barcos e receitas passadas de geração em geração.

As belezas naturais ajudam a sustentar essa identidade. Penha possui diversas praias, cada uma com perfil próprio. Há áreas mais urbanas e familiares, trechos de mar aberto, enseadas, costões e pontos procurados por surfistas, banhistas e visitantes que querem ir além do parque. A paisagem reúne morros baixos, vegetação litorânea, areia clara e o movimento constante das embarcações, formando um cenário que reforça a vocação turística do município. Mesmo com o crescimento urbano, a cidade ainda preserva recantos onde é possível perceber a Penha mais antiga, ligada ao ritmo da maré e da pesca.

Na cultura, a herança açoriana segue presente em festas, na religiosidade e na gastronomia. A Festa Nacional do Marisco é o evento que melhor traduz essa identidade: celebra a produção local, movimenta o turismo e reforça o título pelo qual Penha é conhecida, o de Capital Nacional do Marisco. A 26ª edição da festa foi programada para março de 2026, com entrada gratuita e shows nacionais, sinal de que o evento segue como uma das principais vitrines culturais e econômicas do município.

A culinária é um dos pontos altos da experiência em Penha. Pratos à base de mariscos, peixes, camarões e frutos do mar em geral aparecem em restaurantes, festas e mesas familiares, com forte influência luso-açoriana. A cozinha local é simples, direta e ligada ao produto fresco: marisco preparado de diferentes formas, sequência de frutos do mar, pirão, peixe frito, caldeiradas e receitas que transformam a pesca em patrimônio afetivo. É uma gastronomia que não apenas alimenta o visitante, mas conta a história da cidade.

Penha é, no fim das contas, uma cidade que conseguiu transformar lazer em economia sem abandonar completamente suas origens. Entre a memória da Armação do Itapocoroy, as praias, os mariscos e o parque que projetou seu nome nacionalmente, o município construiu uma identidade rara no litoral catarinense. É uma cidade onde o turismo tem escala de grande destino, mas onde o mar ainda explica muita coisa: o passado, o trabalho, a comida e a forma como Penha continua se reconhecendo.

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