Os eleitos precisam assumir um compromisso formal com Santa Catarina

Estado está cansado de contribuir muito e receber pouco; mudança dessa realidade deve se tornar uma pauta permanente e suprapartidária

Santa Catarina cansou de ocupar a posição de patinho feio na distribuição dos recursos federais. O Estado produz, arrecada, gera empregos, exporta e contribui de maneira expressiva para a economia brasileira, mas continua enfrentando dificuldades históricas para receber investimentos compatíveis com aquilo que entrega ao país.

Essa realidade atravessou governos de diferentes partidos e orientações ideológicas. Trata-se de um problema federativo construído ao longo de décadas e que exige uma reação organizada, permanente e suprapartidária dos representantes catarinenses.

Os candidatos que foram escolhidos pelos eleitores neste ano deveriam assumir, antes mesmo da posse, um compromisso formal com a mudança dessa situação. Deputados federais, senadores, governador, deputados estaduais e demais lideranças precisam compreender que defender Santa Catarina não pode ser apenas uma frase repetida durante a campanha.

É necessário ir muito além dos discursos.

Santa Catarina consolidou-se como uma das economias mais dinâmicas do Brasil. A força da indústria, do agronegócio, do comércio, dos serviços, do turismo, da tecnologia e da atividade portuária transforma o Estado em importante gerador de riqueza, empregos e tributos federais.

Esse protagonismo econômico, contudo, não encontra a mesma reciprocidade quando se observa a capacidade de atrair recursos para obras estruturantes, especialmente em áreas que dependem diretamente da União.

Segundo levantamento divulgado pela Fetrancesc, entre 2021 e 2025 Santa Catarina teria contribuído com aproximadamente R$ 590 bilhões para os cofres federais e recebido cerca de R$ 83,4 bilhões na forma de repasses considerados pelo estudo. Pela metodologia utilizada, para cada R$ 100 arrecadados no Estado, aproximadamente R$ 14 teriam retornado.

A União contesta essa comparação e afirma que o cálculo não contempla todo o conjunto de recursos aplicados em Santa Catarina, como benefícios previdenciários, programas sociais, gastos diretos de órgãos federais e outras despesas executadas no território catarinense.

A divergência metodológica precisa ser considerada com responsabilidade. Ainda assim, ela não elimina o sentimento existente na sociedade e no setor produtivo de que Santa Catarina recebe menos atenção do que deveria em áreas decisivas para seu desenvolvimento.

Basta observar a situação das rodovias federais, os atrasos históricos em duplicações, as dificuldades de acesso aos portos, os gargalos logísticos e a necessidade de investimentos em infraestrutura. São problemas que comprometem a segurança, elevam custos e reduzem a competitividade de uma economia que beneficia todo o Brasil.

Também há demandas em saúde, prevenção de desastres, mobilidade, saneamento, habitação e proteção da extensa faixa litorânea. O crescimento populacional e econômico de Santa Catarina aumenta a pressão sobre serviços e estruturas que, em muitos casos, não acompanharam a velocidade dessa transformação.

Não se trata de defender que todo recurso arrecadado em Santa Catarina permaneça no Estado. O pacto federativo brasileiro pressupõe solidariedade entre as diferentes regiões do país. Estados com maior capacidade econômica contribuem para financiar políticas públicas e reduzir desigualdades nacionais.

Essa solidariedade é necessária e legítima. O que precisa ser discutido é o equilíbrio.

Contribuir para o desenvolvimento de outras regiões não pode significar abandonar necessidades essenciais de quem também arrecada. Santa Catarina não reivindica privilégios. Reivindica tratamento justo, planejamento e retorno compatível com sua importância econômica e com os desafios enfrentados por sua população.

Essa pauta não pertence à direita, à esquerda ou ao centro. Não deveria depender da relação política entre o governador e o presidente da República, nem da composição partidária do Congresso Nacional.

Defender Santa Catarina precisa estar acima das disputas eleitorais.

Os parlamentares eleitos terão a responsabilidade de transformar essa reivindicação em atuação concreta. Isso significa construir uma bancada coordenada, definir prioridades, acompanhar o Orçamento da União, cobrar a execução das emendas, fiscalizar os investimentos anunciados e manter diálogo permanente com os ministérios e órgãos federais.

A bancada catarinense não pode se reunir apenas em momentos de emergência ou quando uma obra ganha repercussão pública. É necessário estabelecer uma agenda comum, com metas, prazos e prestação de contas à população.

Independentemente da sigla, todos os eleitos deveriam assumir compromissos objetivos: defender a conclusão das principais obras federais, ampliar os recursos destinados ao Estado, acompanhar a execução orçamentária e divulgar regularmente aquilo que conseguiram encaminhar em Brasília.

Também seria importante criar um mecanismo público de acompanhamento. O catarinense precisa saber quais obras foram prometidas, quanto foi reservado no orçamento, quanto foi efetivamente liberado e qual representante atuou para que o investimento acontecesse.

Promessa sem recurso não é obra. Recurso autorizado, mas não executado, também não resolve o problema.

Santa Catarina fez sua parte ao longo de décadas. O Estado cresceu apoiado no trabalho de sua população, na capacidade empreendedora, na força das empresas e na organização de suas comunidades. Muitas soluções foram construídas localmente, mesmo diante da ausência ou da demora do poder central.

Mas existem responsabilidades que pertencem à União. Nesses casos, não basta exigir que Santa Catarina continue resolvendo tudo com recursos próprios. O Governo Federal precisa cumprir sua parte.

Santa Catarina não pode continuar sendo lembrada apenas no momento de arrecadar e esquecida na hora de investir. Um Estado que contribui de forma tão relevante para o Brasil merece infraestrutura adequada, segurança nas rodovias e recursos compatíveis com seu crescimento.

Mais do que discursos, chegou o momento de exigir compromisso, união e resultado.

Todos os eleitos, independentemente do partido, deveriam assumir uma obrigação comum: trabalhar para que Santa Catarina receba tratamento mais justo dentro da Federação.

Hashtags: #SantaCatarina #RecursosFederais #PactoFederativo #Eleições2026 #BancadaCatarinense #Infraestrutura #Desenvolvimento #DMANotícias

Sobre o autor

Compartilhar em: