Perspectiva Política: a nova correlação de forças no país

A tensão entre STF e Senado, a estratégia escolhida pela campanha de Lula e a concentração da política nacional em dois grandes campos marcam esta edição.

A panela de pressão entre os Poderes

O segundo turno ainda não aconteceu e não sabemos quem será o próximo presidente do Brasil. Entretanto, Brasília já vive um ambiente de tensão por causa daquilo que está definido: a nova composição do Senado Federal.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, iniciou conversas com representantes dos diferentes campos políticos. Entre os interlocutores recebidos estão o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, e a líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão. O movimento sinaliza uma tentativa de construir caminhos para reduzir a tensão entre o Poder Judiciário e o Poder Legislativo.

Do outro lado, senadores eleitos, que assumirão seus mandatos em fevereiro de 2027, afirmam que não abrem mão de discutir processos de impeachment de ministros do STF. Independentemente das posições políticas, o que se espera é uma relação institucional madura, respeitosa e equilibrada, dentro dos limites constitucionais e das competências de cada Poder.

Uma coisa é certa: nos últimos anos, essa relação foi colocada dentro de uma verdadeira panela de pressão. Agora será preciso saber se a pressão continuará aumentando ou se os interlocutores conseguirão abrir a válvula de escape antes que ela estoure.


A estratégia está definida

Prezados leitores e eleitores: ao menos neste início de segundo turno, esqueçam qualquer possibilidade de a campanha da situação priorizar a apresentação e a discussão de projetos para o país. Independentemente das motivações, seu comando escolheu uma estratégia que já foi verbalizada por algumas lideranças e pode ser observada nos quatro primeiros dias após a votação.

O primeiro movimento — e possivelmente o principal — é a desconstrução do adversário, associando uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ao fim dos programas sociais. O próprio presidente e candidato à reeleição Lula já publicou vídeos seguindo essa linha.

A estratégia ainda contempla mobilizações de rua com forte participação de estudantes, manifestações de apoio de artistas, influenciadores e outras pessoas conhecidas do grande público, além da tentativa de reduzir a abstenção, especialmente no Nordeste, com o envolvimento de lideranças políticas da região.

O caminho foi escolhido e já começou a ser colocado em prática. Resta saber se o eleitor aceitará uma campanha baseada predominantemente na rejeição ao adversário ou se cobrará dos candidatos propostas concretas para o futuro do país. A resposta será dada nas urnas.


Bipartidarismo ou polarização?

Nos últimos anos, partidos historicamente relevantes vêm perdendo espaço no cenário político de Santa Catarina e do Brasil. Em nosso estado, esse movimento é evidente. PSDB, MDB, PP e PSD, que em outros momentos elegeram grandes bancadas e exerceram amplo protagonismo, perderam força em diferentes graus. Para PSDB e MDB, esse enfraquecimento também pode ser observado nacionalmente.

Enquanto as siglas tradicionais recuam, outros partidos tentam ocupar esses espaços. O Republicanos conquistou uma posição diferenciada ao eleger os governadores de São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país. Outras legendas, como o Novo, também cresceram, mas ainda procuram ampliar sua presença e consolidar uma estrutura nacional.

Na avaliação da coluna, dois grandes campos passaram a concentrar a disputa política: o conservador, representado principalmente pelo PL, e o progressista, liderado pelo PT e pela Federação Brasil da Esperança. Outras siglas continuam relevantes, possuem bancadas expressivas e serão fundamentais nas articulações do Congresso, mas encontram dificuldades para apresentar um projeto nacional capaz de romper essa polarização.

Legalmente, o Brasil permanece como um sistema multipartidário, com aproximadamente 30 partidos constituídos. Politicamente, porém, o eleitorado parece caminhar para uma divisão entre dois grandes polos. Talvez não estejamos construindo um bipartidarismo formal, mas uma polarização partidária e eleitoral cada vez mais consolidada.

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