De favorito a possível derrotado no primeiro turno: a virada contra Eduardo Paes

Anulação dos votos de Garotinho abre caminho para vitória de Douglas Ruas no primeiro turno e pode consolidar um dos maiores reveses políticos desta eleição.

A eleição para o governo do Rio de Janeiro pode consolidar uma das derrotas políticas mais expressivas de 2026. Eduardo Paes (PSD), favorito nas pesquisas durante a campanha, terminou a votação atrás de Douglas Ruas (PL) e agora pode perder a disputa ainda no primeiro turno. Nesta quinta-feira, 8 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, por cinco votos a dois, anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) e determinar a retotalização do resultado.

Na apuração inicialmente divulgada, Ruas recebeu 49,27% dos votos válidos, enquanto Paes ficou com 42,76%. Com a exclusão dos votos de Garotinho, o percentual de Ruas deve alcançar aproximadamente 50,9%, suficiente para vencer na primeira etapa. Cabe ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro executar a retotalização e proclamar o resultado.

A dimensão do revés está no contraste entre a expectativa construída antes da votação e a escolha efetiva dos eleitores. Paes chegou à disputa com experiência administrativa, elevada exposição pública e liderança nos levantamentos. Mesmo nos últimos dias da campanha, continuava apontado como favorito. A apuração apresentou outro cenário: Douglas Ruas terminou à frente, com uma vantagem de 6,51 pontos percentuais.

Como prefeito da capital, Paes associou sua administração a grandes eventos de repercussão internacional, entre eles os shows de Madonna, em 2024, e Lady Gaga, em 2025. Defendeu essas iniciativas pelo potencial de movimentar o turismo e a economia, colocando o Rio em evidência dentro e fora do Brasil. A visibilidade obtida, entretanto, não foi suficiente para assegurar a liderança na eleição estadual.

Governar a capital e conquistar a confiança de todo o estado são desafios distintos. A disputa estadual envolve a Baixada Fluminense, a Região Metropolitana e o interior, com necessidades e realidades próprias. Uma candidatura precisa transformar reconhecimento em identificação com as prioridades desses diferentes públicos. Nas urnas, Ruas demonstrou maior capacidade de reunir votos.

O favoritismo prolongado também pode criar uma percepção de vitória encaminhada entre apoiadores, dirigentes e integrantes de uma campanha. O risco político é perder de vista que o eleitor continua avaliando as alternativas e pode decidir até os últimos momentos. A liderança em pesquisas oferece uma posição favorável, mas exige trabalho permanente para ser confirmada.

A decisão sobre Garotinho acrescentou um desdobramento jurídico decisivo ao resultado. Seus votos não serão transferidos a Douglas Ruas. Com a anulação, eles deixam de integrar o total de votos válidos utilizado no cálculo dos percentuais. Ruas mantém a quantidade de votos recebida, mas passa a representar uma parcela maior desse total, ultrapassando a metade necessária para a eleição no primeiro turno.

Para Paes, a consequência pode ser o encerramento da disputa sem uma nova oportunidade de buscar os eleitores dos demais candidatos. Para Ruas, a confirmação representará a conquista do governo após superar nas urnas o nome que liderava as expectativas durante a campanha.

Se a retotalização confirmar a vitória de Douglas Ruas e a decisão permanecer válida, o Rio de Janeiro terá produzido um dos resultados mais marcantes de 2026. O candidato considerado favorito terá sido derrotado na primeira etapa por um adversário que chegou ao dia da votação atrás nas pesquisas.

A eleição fluminense deixa uma lição objetiva: reconhecimento público, grandes eventos e liderança nos levantamentos não concedem mandato. A decisão pertence ao eleitor. E, quando os votos são apurados, as expectativas precisam dar lugar ao resultado.

Hashtags: #DMANotícias #Eleições2026 #RioDeJaneiro #EduardoPaes #DouglasRuas #TSE #GovernoDoRio #Política

Sobre o autor

Compartilhar em: