O Brasil seria o país do futuro. Mas onde foi que erramos?

Artigo de opinião reflete sobre a distância entre o potencial brasileiro e a realidade vivida por grande parte da população.

Se o prezado leitor perguntar por que estou escrevendo este artigo, a resposta mais sincera talvez seja: não sei. Pode ser desesperança, decepção, incredulidade, cansaço ou apenas a necessidade de colocar em palavras uma sensação que muitos brasileiros carregam há tempo demais. A única certeza é que este texto não nasce da alegria.

Eu nasci, cresci, virei adulto e envelheci ouvindo que o Brasil seria o país do futuro. E, de certa forma, todos estavam certos: seria.

Temos um território privilegiado, com riquezas naturais, água, energia, alimento, minerais, biodiversidade, clima favorável e uma capacidade produtiva que poucos países no mundo possuem. Temos uma população miscigenada, diversa, criativa, solidária e capaz de conviver com diferentes culturas, religiões, costumes e formas de pensar. Na prática, temos quase tudo o que uma nação precisaria para prosperar.

Então vem a pergunta inevitável: onde erramos?

Como um país com tanto potencial consegue conviver com problemas que parecem se multiplicar a cada ano? Como podemos ter tanta riqueza e, ao mesmo tempo, tanta desigualdade? Como podemos arrecadar tanto e entregar tão pouco? Como podemos falar tanto em futuro enquanto milhões de brasileiros seguem presos ao presente da sobrevivência?

A sensação é de que o Brasil perdeu a capacidade de transformar promessa em realidade. Discutimos muito, brigamos muito, prometemos muito, mas executamos pouco. A política se afastou da verdade, a gestão pública se acostumou à ineficiência e a população passou a conviver com o absurdo como se fosse normal.

O mais triste é perceber que o brasileiro continua fazendo sua parte. Acorda cedo, trabalha, paga impostos, sustenta a família, empreende, insiste, resiste e ainda tenta acreditar. Mas acreditar fica mais difícil quando a vida real não melhora.

Será que o Brasil tem solução? Quero acreditar que sim. Mas solução não virá de frases prontas, salvadores, promessas eleitorais ou discursos emocionais. Virá de responsabilidade, educação, produtividade, segurança, gestão, verdade e coragem para enfrentar problemas que o país empurra há décadas.

Se alguém tiver a resposta, por gentileza, envie. Porque o Brasil ainda tem tudo para dar certo. Só não pode continuar sendo, eternamente, o país que seria.

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