Morre Juarez Machado, um dos maiores nomes da arte catarinense

Juarez era um amigo querido. Nesta foto estou com ele em seu ateliê em Paris. Chocado e triste. Descanse em paz amigo.

Santa Catarina perde um de seus maiores artistas.

Morreu Juarez Machado, pintor, desenhista, escultor, caricaturista, ilustrador, cenógrafo e um dos nomes catarinenses de maior projeção internacional nas artes.

Nascido em Joinville, em 16 de março de 1941, Juarez Machado tinha 85 anos e construiu ao longo de mais de seis décadas uma trajetória artística que ultrapassou as fronteiras brasileiras.

A arte entrou cedo em sua vida.

Ainda jovem, trabalhou em uma gráfica produzindo rótulos, embalagens e cartazes. Depois mudou-se para Curitiba, onde estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná e começou a participar de exposições e salões de arte. Sua primeira exposição individual aconteceu em 1964.

Em seguida veio o Rio de Janeiro, onde Juarez ampliou sua atuação e ganhou projeção nacional.

Trabalhou como chargista e cartunista em importantes jornais e revistas, produziu ilustrações, cenários, figurinos e participou da televisão brasileira.

Durante mais de 20 anos esteve ligado à Rede Globo e ficou conhecido nacionalmente também por suas participações no Fantástico, onde aparecia como mímico interagindo com os próprios desenhos — uma linguagem criativa que marcou época.

Sua produção nunca ficou limitada a uma única forma de expressão.

Juarez Machado transitou pela pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia, humor gráfico, teatro, televisão e literatura.

Foi justamente essa multiplicidade que ajudou a construir sua identidade artística.

Na década de 1980, sua carreira ganhou definitivamente dimensão internacional.

Juarez estabeleceu ateliê em Paris, onde passou a viver e trabalhar durante grande parte de sua trajetória, mantendo ao mesmo tempo vínculos permanentes com o Brasil e, especialmente, com Santa Catarina. Suas obras foram apresentadas em diversos países da Europa, nos Estados Unidos e em outros mercados internacionais.

Mesmo depois de conquistar reconhecimento fora do país, Joinville jamais deixou de ocupar lugar especial em sua vida.

Em 2014, transformou a antiga casa de sua família no Instituto Internacional Juarez Machado, espaço cultural criado para preservar sua obra, estimular novas manifestações artísticas e aproximar a população da cultura.

O Instituto tornou-se uma das principais referências culturais de Joinville e reúne pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, publicações e registros de diferentes períodos da carreira do artista.

A ligação com sua cidade natal está presente também no Teatro Juarez Machado, no Centreventos Cau Hansen, inaugurado em 2001 e batizado em homenagem ao artista.

Joinville ainda guarda diferentes obras públicas e referências à produção de Juarez, consolidando uma relação construída durante toda uma vida.

Curiosamente, poucos dias antes de sua morte, o próprio Teatro Juarez Machado recebeu a exibição do documentário “Juarez Machado – Memórias e Reflexões”, produção dedicada a reconstruir sua trajetória, formação e processo criativo a partir de depoimentos do próprio artista.

Juarez também recebeu inúmeras homenagens ao longo da carreira.

Foi premiado no Brasil e no exterior, recebeu a Medalha de Mérito Anita Garibaldi do Governo de Santa Catarina e teve sua contribuição artística reconhecida por diferentes instituições culturais. Em agosto deste ano, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina realizou nova homenagem à sua trajetória.

Sua obra possui características facilmente reconhecíveis.

Cores marcantes, personagens elegantes, cenas de boemia, movimento, humor, sensualidade e teatralidade ajudaram a formar um estilo próprio que atravessou décadas sem perder identidade.

Juarez Machado levou Santa Catarina para o mundo.

Mas também fez questão de trazer parte desse mundo de volta para Joinville.

Esse talvez seja um dos maiores legados de sua trajetória.

Não apenas aquilo que produziu.

Mas aquilo que deixou estruturado para que outras gerações continuem tendo contato com a arte.

Santa Catarina perde o artista.

A obra permanece.

E, através dela, Juarez Machado continuará ocupando seu lugar entre os grandes nomes da cultura catarinense e brasileira.

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