Adami S.A. – Madeiras — do pinus do Meio-Oeste à indústria que embalou gerações
Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Em 9 de junho de 1942, em Caçador, a Adami nasceu com uma estrutura modesta e um trabalho essencial: o desdobramento e a comercialização de madeira bruta — naquele tempo, quando o que existia era o ofício, o esforço físico e a certeza de que a cidade só cresceria se a indústria criasse raízes. A empresa começou ainda como Adami & Cia. Ltda., e, em 1956, já mudava de razão social para Adami S.A. – Madeiras, sinal de maturidade e de ambição de longo prazo.
O que veio depois foi uma transformação silenciosa, mas profunda: a Adami deixou de ser apenas “madeira” e passou a operar como uma cadeia completa — florestas, processamento, indústria e entrega. Hoje, o coração da operação está em duas unidades fabris em Caçador, e o negócio se organiza em dois eixos que se complementam: embalagens de papelão ondulado e madeira. No retrato de 2024, a divisão foi clara: cerca de 70% da receita veio de embalagens e 30% do segmento madeireiro.
Na madeira, a empresa se firmou com produção e beneficiamento — de pallets e painéis a itens de maior valor agregado, como molduras e portas, com parte relevante das molduras voltada à exportação. No papel e embalagens, consolidou presença com escala e carteira industrial: a Moody’s Local menciona capacidade em torno de 400 milhões de m²/ano de papelão ondulado e participação de mercado estimada em 4,8% no Brasil (aprox. 15% no Sul).
Como toda trajetória grande, houve curvas — e 2024 foi um ano de execução. A Adami fechou o exercício com receita operacional líquida de R$ 1,432 bilhão, EBITDA ajustado de R$ 333,4 milhões e lucro líquido de R$ 251,1 milhões, mantendo fôlego para investir mesmo com pressões de custo e concorrência.
O passo mais simbólico da nova fase veio com um movimento que diz muito sobre o presente e o futuro da indústria: em abril de 2024, a empresa fez uma emissão de R$ 300 milhões em debêntures verdes, coordenada pela Caixa, destinada à criação de uma nova fábrica de papel com 100% de material reciclado, projetada para 125 mil toneladas/ano — com expectativa de geração de empregos diretos e indiretos e ganhos ambientais ligados ao reaproveitamento de resíduos.
E não se trata de um investimento pontual. No relatório de crédito, a Moody’s Local registra um plano para dobrar a capacidade própria de papel para embalagens (de 125 mil para 250 mil toneladas), com desembolsos já relevantes e horizonte de conclusão em agosto de 2026. É a Adami apostando em autonomia produtiva e eficiência, para sustentar escala sem abrir mão de padrão.
Se números ajudam a contar a história, são as pessoas que dão sentido a ela. A Adami atravessou décadas porque aprendeu a transformar rotina em qualidade — e porque manteve uma cultura de continuidade. Não por acaso, a FIESC registrou que José Adami Neto, presidente desde 2003, conduzia a empresa criada em 1942 pelo avô, conectando tradição e gestão profissional num setor em que o tempo vale tanto quanto a tecnologia. Reconhecer essa trajetória é reconhecer uma obra coletiva: do plantio e manejo ao chão de fábrica, da logística à manutenção, de quem faz a engrenagem girar sem alarde — e faz Caçador continuar sendo um polo industrial de verdade.
Linha do tempo — marcos essenciais
• 09/06/1942 — Fundação em Caçador (SC) como Adami & Cia. Ltda., com atuação inicial no segmento madeireiro.
• 1956 — Mudança de razão social para Adami S.A. – Madeiras.
• 2024 — Receita operacional líquida R$ 1,432 bi; EBITDA ajustado R$ 333,4 mi; lucro líquido R$ 251,1 mi.
• 04/2024 — Debêntures verdes de R$ 300 mi para nova fábrica de papel com 100% reciclado e 125 mil t/ano.
• 2025–2026 — Plano de expansão para 250 mil t/ano de papel para embalagens, com conclusão esperada em ago/2026.
Mais do que uma cronologia de marcos, a história da Adami é um retrato do que Santa Catarina constrói quando decide industrializar com método: crescer sem perder o chão, investir sem perder a essência, e fazer do “bem-feito” um hábito. Fica aqui o reconhecimento — a uma empresa que começou na madeira e, com o tempo, aprendeu também a embalar o desenvolvimento de uma região inteira.
