Neymar cumpriu seu dever. Agora, deixem o jogador viver sua vida.

Cobrança pelo desempenho em campo faz parte do futebol. Patrulhar a vida pessoal de um atleta durante sua folga é outra história.

A reação de Neymar às críticas por participar de um torneio de pôquer após a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo foi absolutamente compreensível.

O atacante cumpriu exatamente aquilo que lhe cabia. Recuperado recentemente de uma grave lesão, foi convocado pelo técnico Carlo Ancelotti e entrou em campo quando o treinador decidiu. Ao longo da Copa, participou de aproximadamente 50 minutos de jogo. Se atuou pouco, essa foi uma decisão da comissão técnica, não do jogador.

Depois da eliminação, a Seleção Brasileira encerrou sua participação na competição e os atletas foram liberados. A partir daquele momento, cada um voltou à sua vida particular.

Neymar escolheu disputar um torneio de pôquer, uma atividade legal e que faz parte de um hobby conhecido do jogador há muitos anos. Não faltou a treinamentos, não abandonou concentração, não desrespeitou o clube e nem a Seleção.

Então, qual é o problema?

Futebol é um esporte coletivo. Nenhum jogador, por melhor que seja, vence uma Copa do Mundo sozinho. Transferir para Neymar toda a responsabilidade por mais uma eliminação brasileira é ignorar o que aconteceu dentro de campo e simplificar um problema muito maior.

Mais do que isso, Neymar possui uma história que poucos atletas brasileiros conseguiram construir. Foram anos defendendo a Seleção Brasileira, centenas de partidas, dezenas de gols, títulos por clubes importantes do mundo e uma carreira que o coloca entre os maiores jogadores da história do futebol brasileiro.

Esse legado não desaparece porque o Brasil foi eliminado de uma Copa do Mundo.

Infelizmente, há muito tempo parte das críticas dirigidas a Neymar deixou de ser exclusivamente esportiva. Desde que tornou públicas suas posições políticas, o jogador passou a ser alvo de um nível de patrulhamento que poucos atletas enfrentam.

Em uma democracia, concordar ou discordar das escolhas políticas de qualquer cidadão é um direito. O que não deveria acontecer é transformar essa divergência em motivo para atacar permanentemente a pessoa, independentemente do que ela faça.

Neymar deve ser cobrado quando entrar em campo. Deve ser avaliado pelo futebol que apresenta, pela dedicação aos treinamentos e pelo compromisso com a camisa que veste.

Mas sua folga pertence a ele.

Se cumpriu suas obrigações profissionais, tem o direito de passar seu tempo livre onde quiser e fazendo aquilo que lhe faz bem.

A crítica esportiva é legítima.

A perseguição pessoal, não.

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