Eleições e economia: a confiança estará em jogo no dia seguinte às urnas
Resultado presidencial poderá movimentar Bolsa, dólar e juros antes mesmo da posse; contas públicas e escolha da equipe econômica estarão no centro das avaliações.

O resultado da eleição presidencial de 25 de outubro terá repercussões que vão além da política. Após a apuração, investidores começarão a recalcular riscos, oportunidades e expectativas para o Brasil. Na Bolsa brasileira, a primeira resposta poderá aparecer já no pregão de segunda-feira, dia 26. O próximo presidente só assumirá em janeiro de 2027, mas o mercado não espera a posse para tomar decisões.
Os problemas da economia continuarão presentes na manhã seguinte à eleição. A dívida pública, o desequilíbrio das contas e as dificuldades para ampliar investimentos exigem medidas e tempo. O que pode mudar rapidamente é a percepção sobre a capacidade do próximo governo de enfrentar esses desafios.
Nesse cenário, a situação fiscal ocupa lugar central. Segundo o Tesouro Nacional, o Governo Central acumulou déficit primário de R$ 94,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, ante R$ 85,9 bilhões no mesmo período de 2025, em valores nominais. Trata-se do resultado das receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida. É um sinal concreto da dificuldade de equilibrar as contas.
Uma eventual reeleição de Lula colocará em avaliação a continuidade da política econômica e sua capacidade de entregar resultados fiscais melhores. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou a manutenção da orientação atual e a busca por superávits primários crescentes a partir de 2027. Para conquistar confiança, esse compromisso precisará vir acompanhado de medidas capazes de sustentá-lo.
Já uma vitória de Flávio Bolsonaro abriria a perspectiva de mudança na condução econômica. Sua equipe promete reduzir despesas e o tamanho da máquina pública, enquanto a definição de quem comandará a Fazenda permanece em aberto. Essa possibilidade pode estimular apostas em uma administração mais comprometida com o ajuste fiscal, mas a expectativa dependerá da consistência das propostas e da capacidade de executá-las.
A escolha do ministro da Fazenda terá, portanto, peso relevante. Experiência, credibilidade e capacidade de negociação com o Congresso ajudarão os investidores a avaliar se o programa econômico tem condições de sair do discurso. Um nome respeitado pode favorecer a confiança inicial; sustentá-la exigirá respaldo presidencial e decisões concretas.
O capital aplicado em ações, títulos e outros ativos financeiros pode mudar de destino rapidamente. Quando aumenta a percepção de risco, investidores buscam proteção ou oportunidades em outros mercados. Quando enxergam perspectivas melhores, podem ampliar suas posições no país. Esses movimentos afetam preços de ativos, câmbio e custos de financiamento, embora também dependam dos juros internacionais e do cenário global.
A intensidade da reação dependerá ainda de quanto o resultado já tiver sido antecipado pelos investidores. Uma vitória amplamente esperada pode provocar menos movimento do que uma surpresa nas urnas.
A eleição definirá quem governará o Brasil. Para o investidor, começará imediatamente outra avaliação: qual caminho esse governo pretende seguir e quanto crédito merece para percorrê-lo. A confiança se forma pelas expectativas, mas só permanece quando encontra respaldo nos resultados.
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