Campanha precisa discutir propostas, não apenas destruir adversários

Caso Banco Master reacende disputa política, mas também expõe a contradição entre cobrar investigação e resistir à instalação de uma CPMI ampla.

As campanhas políticas brasileiras seguem por um caminho equivocado. O eleitor precisa ouvir propostas reais para enfrentar os problemas do país, mas o que se vê, novamente, é a prática da destruição de adversários, tratados cada vez mais como inimigos.

Neste momento, a grande discussão envolve Flávio Bolsonaro e seu contato com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre pedido de financiamento para o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador admitiu ter buscado recursos privados para o projeto, mas nega irregularidade.

O caso deve ser investigado, como qualquer fato relevante envolvendo um pré-candidato à Presidência. Mas a lógica política se enfraquece quando quem acusa evita apoiar uma apuração mais ampla. A CPMI do Banco Master já teve requerimento com assinaturas acima do mínimo exigido, segundo informações publicadas sobre o pedido protocolado no Congresso.

A contradição está justamente aí: se o caso é grave, por que não investigar tudo? Se Daniel Vorcaro é o centro das suspeitas, a apuração não pode servir apenas para atingir um personagem político. Precisa alcançar todos os envolvidos, todos os contatos, todos os interesses e todas as responsabilidades.

O Brasil está cansado de mais do mesmo. Denúncias precisam ser apuradas, mas não podem substituir propostas para segurança, economia, saúde, educação, emprego e futuro. Campanha eleitoral não deveria ser um campeonato de destruição moral, mas um momento de apresentação de caminhos para o país.

O eleitor merece menos espetáculo e mais seriedade. Menos narrativa e mais verdade. Menos ataque e mais projeto.

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