Um momento mágico: diante da urna, todos temos o mesmo poder
A uma semana da decisão presidencial, a igualdade proporcionada pelo voto merece ser valorizada, apesar de uma campanha marcada, na avaliação do autor, por ataques e desinformação.

Estamos a pouco mais de uma semana da eleição que decidirá quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos. No dia 25, milhões de brasileiros voltarão às urnas para escolher o presidente da República, cuja posse ocorrerá em 5 de janeiro de 2027. É uma decisão coletiva construída a partir de uma escolha individual.
Há algo de mágico nesse momento. Em uma sociedade atravessada por desigualdades, o voto coloca cada eleitor na mesma condição de poder. O voto de quem tem uma fortuna vale tanto quanto o de quem luta para pagar as contas. O de uma pessoa indígena, negra ou branca tem o mesmo peso. Religião, orientação sexual, profissão, escolaridade e endereço não acrescentam nem retiram valor dessa escolha.
Essa igualdade está expressa na Constituição: o voto é direto, secreto e tem valor igual para todos. Na cabine de votação, esse princípio ganha uma dimensão concreta. Ali estão você e a urna. Sua decisão tem exatamente o mesmo peso que a de qualquer outro eleitor.
Dê valor a isso. Ouça, informe-se, compare e reflita. Preserve sua liberdade diante de pressões, ameaças e tentativas de manipulação. Ninguém é superior a você no exercício desse direito. A escolha pertence à sua consciência.
É justamente por reconhecer a importância desse momento que escrevo também com indignação. Acompanho eleições há décadas. Já coordenei duas campanhas e venci ambas. Conheço a disputa eleitoral, suas tensões e a responsabilidade de convencer pessoas a confiar em um projeto. Na minha avaliação, esta é a campanha mais suja que já presenciei.
As propostas perderam espaço para ataques, acusações e mentiras. Em vez de explicar como enfrentar os problemas do país, boa parte do debate se concentrou em provocar medo, alimentar rejeições e desqualificar o adversário. O eleitor, que deveria receber informações para decidir, passou a enfrentar uma disputa incessante pela sua indignação.
O mais preocupante é perceber como esse comportamento contaminou parte da sociedade. Há militantes que compartilham uma informação pela conveniência que ela oferece ao candidato preferido. A veracidade fica para depois — quando chega a ser considerada. A mentira ganha defensores, e quem a questiona passa a ser tratado como adversário e até como inimigo.
Acompanhar redes sociais tornou-se, muitas vezes, um exercício de resistência. Revolta ver pessoas com visibilidade e influência tratando acusações como certezas e repetindo conteúdos sem o cuidado que exigem de seus próprios críticos. Quanto maior o alcance de uma voz, maior deveria ser sua responsabilidade com aquilo que divulga.
Não podemos permitir que esse ambiente esvazie o valor do voto. A deterioração da campanha torna ainda mais necessário exercer esse direito com independência. Procure conhecer as propostas, a trajetória e a capacidade de quem pede sua confiança. Desconfie de mensagens feitas apenas para assustar ou enfurecer.
Vote com convicção em quem você entende que pode representá-lo melhor e conduzir o país. Respeite também o direito de outra pessoa chegar a uma conclusão diferente. A igualdade que reivindicamos diante da urna precisa acompanhar nossa convivência fora dela.
Daqui a uma semana, cada eleitor terá em suas mãos uma parcela igual da decisão sobre o futuro do Brasil. Nenhuma fortuna compra um peso maior para o próprio voto. Nenhuma fama concede uma escolha adicional.
Esse é o momento mágico da democracia. Valorize o seu poder. Proteja a sua consciência. Faça a sua escolha.
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