Perspectiva Política: as urnas redesenham o cenário político
A vitória expressiva de Jorginho Mello, a eleição de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro e a nova composição conservadora do Senado marcam a primeira leitura da coluna após o primeiro turno
Uma vitória construída

Jorginho Mello foi reeleito governador de Santa Catarina ainda no primeiro turno, com uma votação próxima de 70% dos votos válidos. O resultado confirmou aquilo que as pesquisas já indicavam durante a campanha: uma vitória ampla e consolidada.
A expressiva votação pode ser interpretada como o reconhecimento dos catarinenses ao trabalho realizado durante o primeiro mandato. Também representa o resultado da habilidade política de Jorginho Mello, que construiu uma coligação ampla e sólida e recebeu o apoio de diversas lideranças filiadas a partidos que apresentavam candidatos ao mesmo cargo.
A reeleição consagra uma trajetória política marcada por sucessivas vitórias. Vereador, deputado estadual, deputado federal, senador e governador, Jorginho Mello mantém uma marca pouco comum na política: ao longo de sua carreira, ainda não conheceu uma derrota nas urnas.
Uma bancada inteiramente do PL

Carol de Toni e Carlos Bolsonaro foram eleitos senadores por Santa Catarina. Carol terminou a disputa na primeira colocação, enquanto Carlos conquistou a segunda vaga destinada ao estado.
Com dois mandatos como deputada federal, Carol pavimentou um caminho sólido por meio do trabalho realizado e da presença construída na política catarinense. Carlos, por sua vez, contou com a força do bolsonarismo em Santa Catarina e com a identificação de uma parcela expressiva do eleitorado com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também deve ser reconhecida a articulação comandada por Jorginho Mello e a parceria de Carol de Toni na chapa. Ambos foram importantes para sustentar a candidatura de Carlos diante das resistências enfrentadas, especialmente pelas críticas à recente transferência de seu domicílio eleitoral para Santa Catarina e por ser apresentado pelos adversários como um nome de fora do estado.
A eleição dos dois produz ainda um fato político relevante: a partir de 2027, Santa Catarina terá seus três representantes no Senado Federal filiados ao PL. Carol de Toni e Carlos Bolsonaro se juntarão a Jorge Seif, eleito em 2022, formando uma bancada estadual inteiramente pertencente ao mesmo partido.
Um novo Senado
A eleição deste domingo renovou 54 das 81 cadeiras do Senado Federal, o equivalente a dois terços da Casa. Os resultados mostram uma mudança importante em seu perfil político, com maioria formada por representantes da direita e da centro-direita e o fortalecimento do PL, que terá a maior bancada a partir de 2027.
A nova composição poderá contribuir para a busca de maior equilíbrio entre os Poderes. Especialmente na relação entre o Legislativo e o Judiciário, espera-se um distanciamento institucional saudável, sem submissão ou enfrentamentos permanentes. Independência não significa ausência de diálogo, mas respeito aos limites e às competências estabelecidas pela Constituição.
Outro ponto dependerá do resultado da eleição presidencial. Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, encontrará um Senado politicamente mais alinhado ao seu governo. Se Lula conquistar a reeleição, deverá enfrentar maiores dificuldades para aprovar propostas e projetos, o que exigirá mais diálogo e capacidade de negociação com o Congresso.
Existe ainda uma terceira questão: a presidência do Senado. Davi Alcolumbre pretende permanecer no comando da Casa, mas a nova composição exigirá dele uma mudança significativa de postura. Os senadores que assumirão em 2027 foram eleitos por um eleitorado que sinalizou desejar um Senado mais atuante, independente e disposto a exercer plenamente suas atribuições.
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