Recorde de recuperações judiciais acende alerta sobre a economia brasileira

Brasil encerrou 2025 com 5.680 empresas em recuperação judicial, alta de 24,3% sobre 2024, em meio a juros elevados, crédito caro e inflação pressionada.

O Brasil precisa parar de se enganar. A economia nacional enfrenta problemas sérios, e um dos sinais mais claros aparece justamente onde deveria haver mais força: nas empresas que geram empregos, renda e riqueza.

O ano de 2025 terminou com recorde de empresas em recuperação judicial. Segundo dados do Monitor de Recuperação Judicial da consultoria RGF, o país fechou o período com 5.680 companhias nessa situação, alta de 24,3% em relação a 2024, quando eram 4.568. Foi o maior número da série histórica.

O dado não pode ser tratado como normal. Recuperação judicial é um instrumento legítimo para tentar reorganizar dívidas e preservar atividades econômicas, mas quando o número bate recorde, o alerta deixa de ser individual e passa a ser sistêmico.

A causa principal é conhecida: juros elevados, crédito caro, queda de fôlego do consumo e inflação resistente. A taxa Selic permanece em patamar alto porque o Banco Central tenta conter a pressão inflacionária, que segue próxima da banda superior da meta. O próprio governo elevou recentemente sua projeção de inflação para 2026 ao limite superior de 4,5%.

O problema é que juros altos, embora necessários para combater a inflação, também sufocam empresas. O custo financeiro aumenta, renegociar dívidas fica mais difícil, investir se torna mais arriscado e o consumidor compra menos. O resultado aparece no caixa das companhias, especialmente pequenas e médias, que têm menos acesso a crédito barato e menor capacidade de atravessar períodos longos de aperto.

Sufocar quem produz, emprega e gera riqueza é um dos caminhos mais perigosos que um país pode trilhar. Sem empresas saudáveis, não há emprego sustentável. Sem emprego, não há renda. Sem renda, não há consumo. E sem consumo, a economia perde força.

O Brasil precisa enfrentar a inflação, mas também precisa criar condições para que o setor produtivo respire. Isso passa por responsabilidade fiscal, segurança jurídica, crédito mais acessível, simplificação tributária, redução de burocracia e ambiente econômico previsível.

O recorde de recuperações judiciais não é apenas uma estatística. É um aviso. Quando milhares de empresas recorrem à Justiça para tentar sobreviver, o país precisa olhar para a economia real com mais seriedade e menos discurso.

Hashtags:
#Economia #RecuperaçãoJudicial #Empresas #Juros #Selic #Inflação #Brasil #Crédito #Emprego #SetorProdutivo #Empreendedorismo #CriseEconômica #ResponsabilidadeFiscal

Sobre o autor

Compartilhar em: