Perspectiva Política: prioridades políticas, equilíbrio institucional e resultados sociais
A mobilização do PL catarinense para o segundo turno, a expectativa sobre a nova legislatura e a distância entre o discurso de igualdade e os indicadores sociais da Bahia marcam esta edição.
Uma única prioridade

O governador Jorginho Mello, reeleito no primeiro turno, reuniu os deputados estaduais e federais eleitos pelo PL em Santa Catarina. Assuntos relevantes não faltariam para o encontro, entre eles a futura composição da Assembleia Legislativa e a escolha de seu próximo presidente.
Entretanto, Jorginho comunicou à bancada que, neste momento, existe uma única prioridade: a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O governador pediu o envolvimento de todos os parlamentares e orientou que as demais discussões políticas sejam retomadas somente depois do segundo turno.
A decisão demonstra organização, comando político e definição de prioridades. Ao suspender temporariamente as disputas internas, Jorginho concentra a força eleitoral do PL catarinense em um objetivo nacional. Os espaços estaduais continuarão sendo disputados, mas somente depois que as urnas decidirem quem governará o Brasil.
Cada poder no seu espaço
A próxima legislatura do Congresso Nacional poderá representar a retomada do protagonismo e do pragmatismo do Poder Legislativo. A Constituição estabelece poderes independentes e harmônicos, mas esse equilíbrio foi sendo comprometido ao longo dos últimos anos por uma sequência de conflitos e distorções institucionais.
Parte desse enfraquecimento nasceu dentro do próprio Parlamento. Grupos derrotados nos debates e nas votações passaram a recorrer ao Poder Judiciário para tentar reverter decisões tomadas democraticamente pelo Legislativo. Ao agir dessa maneira, os próprios parlamentares transferiram para outro poder uma responsabilidade que deveria permanecer no Congresso.
Recorrer à Justiça é legítimo quando existe possível violação da Constituição ou das leis. O problema surge quando a judicialização passa a ser utilizada como uma continuação da disputa política por outros meios, simplesmente porque determinado grupo não aceitou o resultado da votação.
O Brasil precisa recuperar esse equilíbrio. Como se diz popularmente, cada um deve permanecer no seu espaço: o Legislativo legislando, o Executivo governando e o Judiciário julgando. O diálogo institucional é necessário; a invasão das competências alheias, não. A expectativa é que a próxima legislatura ajude a restabelecer essa normalidade.
Entre o discurso e a realidade
Artistas baianos de grande projeção nacional têm todo o direito de defender um candidato ou determinado campo político. Isso faz parte da democracia. Se todos fossem obrigados a pensar da mesma maneira, certamente não estaríamos vivendo em um regime democrático.
Entretanto, quando o discurso avança para a defesa da igualdade social, é legítimo confrontá-lo com a realidade. A Bahia ocupa a 22ª posição no ranking nacional do IDHM disponível e permanece entre os estados com maiores desafios sociais do país. Dados do IBGE mostram que aproximadamente 1,1 milhão de baianos com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever — o maior número absoluto do Brasil. A taxa estadual de analfabetismo é de 9,5%, quase o dobro da média nacional.
A Bahia também possui o maior número de famílias atendidas pelo Bolsa Família: aproximadamente 2,4 milhões. Evidentemente, programas de transferência de renda são necessários para proteger quem vive em situação de vulnerabilidade. Entretanto, uma quantidade tão elevada de beneficiários também revela que milhões de pessoas ainda não conquistaram autonomia financeira.
O problema não está no posicionamento político dos artistas, que deve ser respeitado. A contradição aparece quando a defesa da igualdade social não vem acompanhada da cobrança por resultados concretos. Depois de tantos anos de discursos, os indicadores mostram que a igualdade prometida ainda está muito distante da realidade dos baianos.
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