Perspectiva Política: pesquisas, desgastes e força política após as urnas
Os primeiros levantamentos do segundo turno, dois episódios que pressionaram a campanha de Lula e a liderança consolidada de Jorginho Mello em Santa Catarina marcam esta edição.
A primeira fotografia do segundo turno

A última semana apresentou o primeiro conjunto de pesquisas sobre o segundo turno das eleições presidenciais. Os levantamentos divulgados por PoderData, AtlasIntel, Ipespe mostram Flávio Bolsonaro na liderança, com diferenças superiores às respectivas margens de erro.
Nos votos válidos, o PoderData apresentou Flávio com 53% e Lula com 47%. Na AtlasIntel, o resultado foi de 52,8% contra 47,2%. O Ipespe registrou 52,7% para Flávio e 47,3% para Lula.
Datafolha e Vox apresentaram empate técnico. No Datafolha, Flávio aparece numericamente à frente, com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula, no limite da margem de erro. Na Vox, Lula lidera numericamente com 50,9%, enquanto Flávio tem 49,1%, uma diferença de 1,8 ponto percentual, também dentro da margem de erro.
Considerado em conjunto, o cenário apresenta uma vantagem inicial de Flávio Bolsonaro, mas não permite afirmar que a eleição esteja definida. Pesquisas representam a fotografia do momento, utilizam metodologias diferentes e ainda podem registrar mudanças durante a campanha. A única pesquisa definitiva será realizada nas urnas.
Dois focos de desgaste
A campanha do presidente e candidato à reeleição Lula da Silva enfrentou dois grandes focos de desgaste na semana passada. O principal surgiu com a reportagem da revista Veja, que divulgou gravações de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Nos áudios publicados, Vorcaro afirma ter destinado, “por fora”, R$ 30 milhões a um documentário sobre a história de Lula. A reportagem também relaciona o suposto pagamento a negociações para ampliar o acesso do Banco Master a fundos de pensão de estatais, envolvendo valores bilionários. O atual advogado de Vorcaro confirmou que a voz presente na gravação é de seu cliente, mas afirmou desconhecer quando e em quais circunstâncias o material foi produzido. A campanha de Lula e a equipe responsável pelo documentário negaram o recebimento dos recursos. As acusações são graves e precisam ser investigadas e comprovadas.
O segundo desgaste ocorreu após a escolha da deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa para colaborar com a comunicação digital da campanha. Publicações antigas feitas pela parlamentar passaram a circular nas redes sociais, provocando forte reação. Outros conteúdos atribuídos a ela foram contestados. Menos de 48 horas depois, a própria Ana Elisa confirmou que havia deixado a campanha, afirmando que, diante da repercussão, não estava com “cabeça” para continuar.
Independentemente dos esclarecimentos que ainda precisam ser apresentados, os dois episódios produziram desgaste político. Em uma campanha de segundo turno, marcada pelo pouco tempo e pela elevada exposição, acusações graves e escolhas mal avaliadas podem obrigar qualquer candidatura a gastar energia se defendendo, justamente quando precisa conquistar novos votos.
Uma liderança consolidada

Passadas as eleições legislativas de 2026 e concluídas as disputas majoritárias em diversos estados, os resultados de Santa Catarina consolidaram a liderança do governador Jorginho Mello no atual cenário político estadual.
Reeleito ainda no primeiro turno, com 68,98% dos votos válidos, Jorginho também comandou um partido que conquistou as maiores bancadas catarinenses na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. O PL, presidido por ele no estado, elegeu 16 deputados estaduais e sete deputados federais.
O resultado ainda produziu uma configuração incomum: os três representantes de Santa Catarina no Senado Federal pertencem ao mesmo partido. Jorge Seif, eleito em 2022, terá a companhia de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro a partir de 2027.
Pelo menos neste momento, não se identifica outro político catarinense com capital eleitoral, estrutura partidária e representação parlamentar equivalentes. Os demais campos políticos terão muito trabalho para construir lideranças competitivas para os próximos desafios. Jorginho Mello pavimentou um caminho sólido e passou a ocupar o centro das principais decisões políticas de Santa Catarina.
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