Perspectiva Política: o desafio fiscal além das urnas
A difícil situação das contas públicas, o remanejamento para financiar o reajuste do Bolsa Família e quatro novas pesquisas presidenciais marcam esta edição.
A conta chegará em 2027

Independentemente de quem vencer a eleição presidencial no próximo dia 25, uma realidade já está colocada: o novo governo enfrentará um 2027 de grandes dificuldades econômicas e fiscais. A dívida bruta brasileira alcançou R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB, enquanto o país continua registrando déficit primário.
O quadro fica ainda mais complexo com a inflação acima do teto da meta, a taxa Selic em 13,75% ao ano e o elevado endividamento de famílias e empresas. É um conjunto que limita investimentos, encarece o crédito e reduz o espaço do governo para criar novas despesas.
Durante a campanha eleitoral, o presidente e candidato à reeleição Lula da Silva adotou medidas que diminuem receitas e ampliam gastos públicos. Independentemente do mérito individual de cada decisão, a matemática permanece a mesma: quando o governo arrecada menos e gasta mais, alguém precisa financiar a diferença.
E quem pagará essa conta? Se você respondeu que será o cidadão, acertou. Ela poderá aparecer por meio de mais impostos, inflação, juros elevados, endividamento público ou redução na capacidade de o Estado oferecer serviços e realizar investimentos. A eleição termina no dia 25. A conta continuará no dia seguinte.
Ajuste para fechar a conta
O governo federal reduziu em R$ 18,6 bilhões as estimativas de despesas de 2026 com aposentadorias, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e servidores públicos. Segundo o Ministério da Fazenda, a revisão abriu espaço no Orçamento para acomodar parte do reajuste de 15,04% concedido ao Bolsa Família.
A explicação oficial é que não houve corte nos valores individuais nem alteração nas regras dos benefícios. O governo afirma que apenas atualizou as projeções, considerando que os gastos efetivos com essas despesas obrigatórias ficarão abaixo do inicialmente previsto.
Tecnicamente, portanto, trata-se de uma revisão orçamentária, e não de uma redução anunciada em aposentadorias, BPC ou salários. Politicamente, porém, o movimento confirma aquilo que já estava evidente: para aumentar uma despesa não prevista, o governo precisou encontrar espaço em outras contas. O Bolsa Família foi reajustado, mas o dinheiro necessário para financiar a decisão precisou sair de algum lugar.
Três empates e uma liderança
Ontem foram divulgadas quatro pesquisas nacionais sobre o segundo turno da eleição presidencial. Futura/Apex, BTG/Nexus e PoderData/AYA apresentam Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula da Silva, mas com diferenças dentro das respectivas margens de erro. Portanto, nos três levantamentos, o cenário é de empate técnico.
Considerando os votos válidos, a Futura/Apex aponta Flávio com 51,8% e Lula com 48,2%. Na BTG/Nexus, o resultado é de 52% a 48%. Já o PoderData/AYA registra 51% para Flávio e 49% para Lula.
O resultado diferente veio do Gerp. O instituto apresenta Flávio Bolsonaro com 55% dos votos válidos e Lula com 45%. A vantagem de dez pontos percentuais supera a margem de erro e coloca o candidato do PL na liderança do levantamento.
Pesquisas não antecipam o resultado das urnas, mas registram o momento da disputa. O conjunto divulgado ontem mostra uma eleição ainda competitiva, porém com um dado comum: Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente nos quatro levantamentos.
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