Perspectiva Política: falha na propaganda, bilhões nas contas e o mapa dos apoios
Um problema na transmissão do horário eleitoral, medidas de forte impacto financeiro e a vantagem de Flávio Bolsonaro entre os governadores eleitos marcam esta edição.
Uma falha que exige explicações

Em 2022, a campanha de Jair Bolsonaro denunciou que milhares de inserções de sua propaganda eleitoral deixaram de ser veiculadas por emissoras de rádio. O caso provocou forte controvérsia, mas não resultou em uma conclusão definitiva que comprovasse toda a dimensão apresentada pela campanha.
Ontem, outro episódio atingiu o mesmo campo político. O programa eleitoral de Flávio Bolsonaro foi transmitido pela televisão sem áudio, enquanto as imagens eram exibidas normalmente. Na sequência, a propaganda do presidente Lula foi veiculada com som. Segundo informação divulgada pelo SBT News, a falha teria ocorrido na geração do sinal realizada pela Empresa Brasil de Comunicação.
Ainda não existem elementos para afirmar que houve ação deliberada. Entretanto, independentemente de sua origem, o problema prejudicou objetivamente uma das candidaturas em uma disputa presidencial equilibrada. Cabe aos responsáveis esclarecer o que aconteceu, identificar a causa e assegurar a reparação do tempo perdido.
Em uma eleição, falhas dessa dimensão não podem ser tratadas como um detalhe técnico. A igualdade de condições entre os candidatos precisa ser garantida, e qualquer erro que impeça o eleitor de receber uma propaganda eleitoral exige explicações rápidas e transparentes.
Bilhões às vésperas das urnas
Faltando pouco tempo para o segundo turno, o presidente e candidato à reeleição Lula da Silva adotou uma série de medidas com impacto de bilhões de reais nas contas públicas. A nota não pretende discutir o mérito das decisões, pois algumas envolvem questões sociais e econômicas complexas que exigem avaliação técnica aprofundada. O registro é exclusivamente sobre seus efeitos financeiros.
A proibição das bets elimina uma fonte de arrecadação federal que já havia recolhido bilhões de reais neste ano. O fim da chamada “taxa das blusinhas” representa renúncia de receita. As desonerações e os subsídios destinados à contenção dos preços dos combustíveis também retiram bilhões dos cofres públicos ou exigem recursos adicionais do Tesouro Nacional.
Do outro lado da conta, o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691, aumenta as despesas do governo em bilhões de reais. A estimativa é de um impacto de aproximadamente R$ 5,8 bilhões ainda em 2026, podendo chegar a R$ 22 bilhões no próximo ano.
Queiram ou não, concordem ou não com as medidas, a proximidade com as eleições produz inevitavelmente uma leitura eleitoral dessas decisões. Elas podem ter justificativas econômicas ou sociais, mas foram adotadas no momento em que o presidente disputa sua permanência no cargo. O benefício é imediato; a conta permanecerá depois das urnas.
O mapa dos governadores eleitos
Dos 21 estados em que as eleições para governador já foram definidas, Flávio Bolsonaro reúne, até o fechamento desta coluna, o maior número de apoios declarados para o segundo turno presidencial.
Lula conta com quatro governadores eleitos: Jerônimo Rodrigues, na Bahia; Elmano de Freitas, no Ceará; Rafael Fonteles, no Piauí; e Fábio Mitidieri, em Sergipe. Flávio recebeu o apoio de 14: Daniel Vilela, em Goiás; Eduardo Braide, no Maranhão; Cleitinho, em Minas Gerais; Eduardo Riedel, em Mato Grosso do Sul; Otaviano Pivetta, em Mato Grosso; Dr. Daniel, no Pará; Lucas Ribeiro, na Paraíba; Sergio Moro, no Paraná; Douglas Ruas, no Rio de Janeiro; Marcos Rogério, em Rondônia; Arthur Henrique, em Roraima; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; Jorginho Mello, em Santa Catarina; e Tarcísio de Freitas, em São Paulo.
Em Pernambuco, a governadora reeleita Raquel Lyra declarou neutralidade. Nos dois estados restantes, JHC, em Alagoas, e Dr. Furlan, no Amapá, ainda não haviam anunciado oficialmente suas posições no segundo turno.
Apoio político não significa transferência automática de votos, mas oferece palanques, estruturas partidárias, lideranças municipais e capacidade de mobilização. Nesse quesito, Flávio Bolsonaro largou na frente. Resta saber quanto dessa vantagem política será convertido em votos no dia da eleição.
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