Perspectiva Política: a política se reorganiza depois das urnas

A ampliação dos apoios a Flávio Bolsonaro, a força eleitoral do Sul catarinense e o caminho alternativo que Esperidião Amin poderia ter seguido marcam esta edição.

A ampliação da frente de apoio

Finalizado o primeiro turno, começaram imediatamente as articulações para a etapa decisiva da eleição presidencial. Nos dois primeiros dias de retomada da campanha, Flávio Bolsonaro recebeu o apoio de dois candidatos que participaram da primeira rodada: Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Ambos anunciaram que estarão integrados à campanha do candidato do PL.

O ex-presidente Michel Temer também declarou publicamente seu apoio a Flávio. O mesmo caminho foi seguido pelo governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela, mesmo antes de uma definição nacional do MDB. São manifestações relevantes porque demonstram que a articulação começa a ultrapassar os limites do PL e a reunir lideranças de diferentes partidos.

Outra decisão de impacto veio da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Em reunião realizada nesta terça-feira, a federação aprovou por unanimidade o apoio a Flávio Bolsonaro e fechou questão em torno da candidatura.

O segundo turno está apenas começando e apoios partidários não representam transferência automática de votos. Entretanto, politicamente, Flávio Bolsonaro iniciou esta nova fase ampliando rapidamente sua frente de sustentação. Caberá agora à campanha transformar essas adesões em presença nos estados, mobilização política e votos.


A força política do Sul

O Sul de Santa Catarina mostrou sua força política nas eleições ao conquistar sete das 16 cadeiras destinadas ao estado na Câmara dos Deputados. Foram eleitos Daniel Freitas (PL), Geovania de Sá (Republicanos), Giovana Mondardo (PCdoB), Júlia Zanatta (PL), Julio Garcia (PSD), Ricardo Guidi (PL) e Zé Milton (PP).

O resultado chama a atenção pela proporção. Com aproximadamente 15% da população catarinense, a região ocupará quase metade da bancada federal do estado. Das 16 cadeiras, 43,75% estarão nas mãos de parlamentares politicamente identificados com o Sul catarinense.

A representação também demonstra amplitude partidária. Os sete deputados pertencem a cinco partidos diferentes, envolvendo nomes da direita, do centro e da esquerda. Mais do que a força de uma única legenda, as urnas revelaram a capacidade política de uma região que conseguiu transformar sua presença eleitoral em uma bancada expressiva no Congresso Nacional.


Uma escolha legítima, outro caminho possível

Foi legítima a decisão do senador Esperidião Amin de concorrer à reeleição. A derrota nas urnas não diminui sua extensa trajetória política nem os serviços prestados a Santa Catarina ao longo de décadas. Poucos políticos catarinenses construíram um currículo com tamanha experiência e presença na vida pública.

Entretanto, Amin poderia ter feito outra escolha, possibilidade defendida neste portal pelo colunista Ernesto São Thiago: integrar a coligação do governador Jorginho Mello e disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Pelo capital político acumulado, por sua experiência e por tudo o que representa no estado, teria grandes possibilidades de conquistar uma das 16 vagas destinadas a Santa Catarina.

Dentro de uma bancada fortalecida e contando com a articulação de um governador com influência no PL, Amin poderia até construir uma candidatura à presidência da Câmara. Evidentemente, o caminho dependeria de negociações nacionais, apoio partidário e convencimento dos demais deputados. Mesmo que não chegasse ao comando da Casa, sua experiência lhe permitiria exercer um papel diferenciado no Congresso Nacional. Foi uma escolha legítima disputar o Senado, mas havia outro caminho politicamente promissor.

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